Nada pra nada

NADA PRA NADA

Vítima da insensibilidade do “bicho homem” e sufocado numa atmosfera saturada, este planetinha estuprado segue penando sua rota cósmica. Quando atenta para as galáxias explodindo pelo universo, temendo a morte que o reduzirá a pó, o onipotente “homo sapiens” se apequena, e livra-se do fadário apelando para religião. A terra é azul! Mas o universo é negro, aterrador, constatou o astronauta russo Gagarin, o primeiro que observou nosso planeta do espaço sideral. Depois, como primeiro a por o pé na Lua, o americano Armstrong teria exclamado: “Um pequeno passo para o homem, mas um grande salto para a humanidade”. Mas no que diz respeito ao mistério existir, depoimentos dos que depois ganharam o espaço pouco acrescentaram ao saber. Pena que entre eles não estavam nenhum Einstein, Gamow, Hubble, Brian Schmidt, Higgis, ou mesmo, com séculos de defasagem, gênios como Galileu Galilei, Descartes, Newton ou Kant. Em plena era da cibernética, da conquista do o espaço, e dos potentes telescópios orbitais de grande alcance, o conhecimento moderno não conseguiu ultrapassar com efetividade a incógnita de um universo isótropo, sem começo nem fim, só identificado por intelecto privilegiado. Como enfrentar este axioma? Com religiosidade e suposições; ou apenas ignorá-lo? Menos com os que se ufanam ter fincado sua bandeira na Lua, mas quando são questionados pela má qualidade das imagens apresentadas, admitem o “sumiço” do vídeo original. Não será nenhum turista endinheirado, dos que ora perambulam pelo espaço, que irá vislumbrar algo que ilumine nossa limitada percepção do universo.

efa241ab8524f1fee45b39c097f00780

GAGARIN

Oprimeiro homem a ganhar o espaço sideral

Arotando erudição, o homem sempre camuflou suas limitações. Astuto e pretensioso, manipula o intelecto, se exibe cagando regras, mas ignora o rumo em que vai este planeta pirado, e vangloria-se do avanço civilizatório. No entanto, ai está  à descrença e a  inversão de valores do niilismo, e o ascetismo do mestre Schopenhauer, que, questionados desde o século XIX, no XXI vão acontecendo. Se em sua época Aristóteles afirmou que  tudo que se move foi animado por fonte de movimento anterior. Diante do acontecido com Galileu e seu heliocentrismo, no final do século que passou o cosmólogo Brian Schmidt hesitou em levar a publico o teor de suas pesquisas sobre a tremenda energia do “buraco negro”. Uma “constante cosmológica” como já identificara Einstein e estudara Schwarzschild, o primeiro a considerar as equações do gênio judeu. No limiar desse século um satélite orbital captou fotos dos primórdios de um Big Bang que leva de roldão nosso planetinha. Mas de onde veio, e pra onde vão os rescaldos da sua apregoada explosão cósmica? Não há resposta. Crente se refugia na religião, e cientista esbarra na incógnita. Certo é que ninguém se entende. Embora já tenha sido considerado vácuo absoluto o universo está abarrotado de energia e matéria orgânica, que alguns “gênios” já tentaram “aprisionar” na figura de um poliedro convexo. Antes da era cristã, a geometria euclidiana já considerava o cosmo tridimensional. No século XIX a concepção do universo coerente e objetivo de Newton começou a ser questionada, mas foi à teoria da relatividade de Einstein que revolucionou toda questão. Embora tenha sido Karl Schwarzschild que a manipulando tenha se aprofundado na observação dos buracos negros nas galáxias, foi a intrincada teoria do gênio judeu – só inteligível para iniciado – o que mais se destacou no século XX. Indicando um espaço homoloidal, esférico, essencialmente curvo e hipoteticamente limitado ela revolucionou a engenharia cósmica com leis inerciais, onde espaço e tempo se fundem, e, sejam quais forem os movimentos da Terra, ou qualquer outra referência, a velocidade da luz é constante em qualquer direção.

AlbertEinstein

EINSTEIN

Einstein revolucionou a cosmologia indicando um espaço unívoco em relação a um cosmo dinâmico, mas não conseguiu unir num só critério o micro do subatômico ao macro das galáxias que se expandem. No entanto, embora existam hoje hipóteses sobre universo paralelo e outras tantas teorias; é desconcertante imaginar uma hipotética linha reta disparada contra um universo imponderável - pro norte ou pro sul -  numa velocidade ilimitada, absoluta e sem parâmetros, mais rápida que o pensamento. Teste para curioso, que ao se deitar para dormir lhe vem à mente a tal  linha varando seu teto. Atravessando nuvens cirros que pairam no céu ela ultrapassaria a atmosfera, o sistema solar e a nossa Via Láctea. Deixaria para trás o expandir do universo, seja ele o de Newton, de Einstein, de Brian Schmidt, ou o pretendido por Higgs. Não há como rezar um “Pai Nosso”, virar pro lado, e dormir. Se a idéia parece algo sem propósito, para ilustrar a concepção de Kant sobre sentir e conhecer,  se referindo ao seu “juízo sintético a posteriori” e “juízo sintético a priori” criaram um livro verde e fizeram a constatação  óbvia que entre dois pontos o menor caminho é a linha reta.


ig180_03_02

BURACO NEGRO NO UNIVERSO

Ao se deparar com a nanotecnologia e a imensidão do universo ampliada pelo telescópio eletrônico, o ateu também tem lá seu momento de avestruz. Não alcançando o seu por que, como Rutherford, prêmio Nobel de química, embatuca  quando especula sobre até onde pode ir à subdivisão do elétron. É de embasbacar a incrível diversidade biológica nesse planeta, que partindo do embrião gerou o dinossauro e evoluiu até o “divino homo sapiens”. Uns se apegam a religião, outros ao materialismo científico.

175-12010-a-troglodita
TROGLODITA

Num estágio onde só contava com o fogo e ferramenta de pedra lascada para sobreviver, o troglodita temia as forças da natureza e as estrelas do céu. Mas que dizer do homem contemporâneo dono do saber, mago da cibernética e da conquista do espaço, senhor da macro e da nanotecnologia,  capaz de codificar genética, transplantar órgãos e reproduzir vida. Ele continua perplexo, apelando para o “além”. Não se deu conta de que, apesar do acervo cultural acumulado, para ir além continuará dependendo dos seus parcos cinco sentidos, que sequer se igualam á visão da águia, a noção de espaço do morcego, ou ao faro do cão. Embora se considere imagem de um criador, do troglodita para cá o homem não avançou um passo quando procura equacionar seu existir.

Apesar de toda cultura e avanço tecnológico, no frigir dos ovos o homem age pior que macaco. Toda baderna posta nesta Terra resulta do animal que pensa e fala. Ele ficou de pé, desenvolveu o raciocínio, inventou a roda, começou a escrita riscando pedra, progrediu. Cultuando filosofia grega e doutos antepassados, “evoluindo” sempre o homem não parou de crescer. Numa vertiginosa escalada destrinçou o átomo e conquistou o espaço, mas, embora naves espaciais tenham ultrapassado o sistema solar – e um dia ele pretenda ir atrás -  não será um turista ou astronauta qualquer, que se livrando de dogmas e preconceitos poderá decifrar o desconcertante mistério do universo. Para o dito Big-Bang e o existir humano neste planetinha – que segue a reboque de um Sol de quinta grandeza cosmo afora – não há resposta objetiva. Só suposições.

Considerações filosóficas como panteísmo, budismo, niilismo, e blondelismo, deram margem pra toneladas de escritos. Decorridos 22 séculos do nascimento do Guatama na Índia, embora ainda lá prevaleçam às castas e a miséria, o que ela hoje exibe é arsenal atômico. Comentário do “Portugal Jornal”: A Índia é uma ditadura Medieval, um país onde a divisão de castas nada mais é do que a aceitação da escravatura.

Certamente Darwin não acreditou em Adão e Eva. Aprofundou pesquisa sobre evolução das espécies, mas, “cabreiro”, considerando o ocorrido com Giordano Bruno e Galileu, e se “mancou”… Descartou uma atrevida hipótese que, por mero acaso, raciocínio humano aconteceu quando seu antepassado antropóide desceu da árvore, catou piolho na companheira, cortou o dedo numa lasca de pedra, inventou a roda, e por ai foi…

No passado remoto quem sabia alguma coisa era considerado sábio. Foi Pitágoras, que séculos antes da era cristã criou a palavra filósofo (amigo do saber), termo mais tarde ratificado por Aristóteles e Santo Tomás. A filosofia grega aconteceu séculos depois de Confúcio na China, e, na idade média, foi o obscurantismo que prevaleceu na Europa. Foram o enciclopedismo de Diderot e a descrença religiosa de Rousseau que propiciaram a revolução francesa e intermediaram a transição para a idade moderna. O positivismo de Conte antecedeu o existencialismo de Jean-Paul Sartre e o pensamento do dinamarquês Kierkegaard, que, citando Hegel, afirmou que  “impotência racional do homem o levou a angústia e a religiosidade”. Ignorando o ceticismo de Proudhon e Bakunin, Lenine considerou marxismo o que melhor produziu os pensadores do século XIX. No XXI, julgando-se auto-suficiente, o intelectual  não se da conta da sabedoria de um Sócrates, que não dispondo de bagagem  filosófica acumulada, nem recursos da tecnologia moderna – sequer sabia ler nem escrever -, disse “só saber que nada sabia”, e antes de tomar cicuta para morrer debochou: “devemos um galo a Asclépio ” – deus da medicina. Sabichão PHD contemporâneo deveria “botar o galho dentro” e questionar qual grau de inteligência desenvolveria o gênio grego se desfrutasse da parafernália digital, onde simples clicar de dedo multiplica saber acumulado no decorrer dos milênios?

asteca_historia2

 

Cidade Asteca

Oswald Spengler

Oswald Esplenger

No momento em que na Europa a teoria heliocêntrica de Copérnico era ”excomungada”, no Novo Mundo o invasor espanhol destruía as extraordinárias culturas  Maia,   Inca, e  a Asteca,  que dispondo de calendário solar, infelizmente não conheciam o uso racional da roda. Não foi à toa que no século XIX Darwin descobriu que a origem do homem é o antropóide. No XXI se concluiu que o DNA do chipanzé é 99,4% idêntico ao ser  humano, e teste matemático mostrou  que  ele pode raciocinar  mais rápido que nós. No começo do século passado conceito de civilidade do mundo ocidental cristão foi severamente escrachado pelo pensador alemão Oswald Splenger, que o considerou falido, em plena decomposição. Da frustrada tentativa de socialização de renda de Karl Marx, do socialismo agrário do americano Henry George, e do nazismo de Hitler, parece que o mais palatável é o mordaz cepticismo de Bakunin. O capitalismo predador globalizado usurpou a economia mundial, e nem Alexandre o Grande ou Gengiscã, sequer os romanos – cujo império durou mil anos -, imaginaram algo de tal magnitude. Avançada tecnologia e acelerado desenvolvimento globalizado concentrou renda na mão de meia dúzia de privilegiados, que fomentando  fome degradou a natureza e estenderam seu braço armado mundo afora. Ditando regras para “estadistas”da ONU,  fórum que deveria ser consenso de nações soberanas, ali está absoluto um Tio Sam, senhor da maldita bomba H, que transfere tecnologia atômica para países “alinhados” como Israel, Índia e Paquistão, mas, arbitrariamente discrimina  Coréia do Norte e Irã.

Enquanto o hegemônico Grupo dos Oito do Primeiro Mundo e  elites do Terceiro se banqueteiam, miseráveis excluídos disputam sua xepa. Foi com a complacência de parceiros bem aquinhoados que a “democracia americana” institucionalizou tortura e genocídio, e, quando lhe convém, convive fraternalmente com os mais ferrenhos regimes totalitários do planeta. Foi assim na América Latina e no trato com mulçumano aliado do Orie

martin_luther_king_2

LUTHER KING

“O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons.”

(Marthin Luther King).

Depois do sacrifício do líder negro, das Torres Gêmeas, e da derrocada econômica generalizada – que levou Obama para a Casa Branca – houve uma grande expectativa de mudanças. O que irá acontecer? Promessas do presidente negro, ou arbítrio dos que realmente detém  o  poder?  É fácil imaginar a resposta.  Nos anos 30 foi  guerra que fomentou a economia. Motivado pelo humor de “Hall Street”, o eventual locatário da Casa Branca sempre direcionou sua política ao sabor de conveniências. Só mesmo a destruição das emblemáticas Torres Gêmeas o fez sentir na pele o que vai pelo mundo. É bom não esquecer  o  incalculável arsenal atômico do Tio Sam, e que, hipocritamente, ele já tentou justificar o genocídio que arrasou Hiroshima, mas até hoje não explicou o porquê de uma segunda bomba em Nagassaki.

Hiroshima_aftermath

Efeito da bomba atômica em Hiroshima

Conivente com a farsa de “guerra santa” contra terrorismo mulçumano, a mídia internacional  é  o arauto de quem alega desforra por ter seu antes inexpugnável território atingido, quando o real objetivo é petróleo e posicionamento estratégico. Com pretexto de vingar vítimas inocentes, Tio Sam e John Bull tacham de “eixo do mal” nação que a eles não se submetem. A velha estória do “cowboy” de impor vontade à bala, curiosamente configurada com a augusta presença da rainha da Inglaterra nas badaladas noites de estréia do filme  Agente 007, que na ficção cinematográfica mata em seu nome. É hilário nomear paladinos da liberdade e da justiça quem chafurda na prática fascista, e municia ostensivamente disputa desigual entre judeu e árabe. Míssil e artilharia pesada contra ataque suicida.

Oito séculos depois das cruzadas cristãs contra “pagão” mulçumano na Terra Santa, o pretexto para sustentar outra  é implantar democracia a porrada. Mas o que a finória parceria anglo-americana enfrenta agora é homem-bomba e fundamentalismo. Cabeça a prêmio estipulado pelo antigo parceiro americano, brandindo  sua cimitarra árabe contra  megatons  reapareceu Bin Laden, que garroteando o ocidental cristão num nó mais apertado que o górdio virou a situação de ponta-cabeça. Quem será este “louco”, que deixando para trás suítes faraônicas de cidade de sonhos como Dubai, vai dormir em chão de caverna,  quando religião não é  o que parece motivá-lo. O nomearam inimigo público número um, mas inutilmente o governo americano mobilizou todo seu poderio bélico contra ele. Entretanto, num balanço para contabilizar genocídio, o homem da cartola leva vantagem. É só fazer as contas.

BIN LADEN

BIN LADEN

Sob falso pretexto para consolidar sua meta imperialista, o americano lançou mão de todo seu poderio bélico para esmagar um ex-aliado desde o governo Reagan nos anos 80.  Não respeitam nada. Invadiram  o Iraque, berço da civilização,  cuja origem Persa data do século VII a.C., país onde nasceu à escrita  e as histórias e lendas que constam na Bíblia. Nem os 4000 sítios arqueológicos foram poupados pelos bombardeios. Executaram Saddam sumariamente, mas no banco dos réus deveriam estar também Ronald Reagan, Bush pai, Bush filho e Bill Clinton. Uma guerra que foi dita ganha em nome da democracia, 6 anos depois continua ceifando vidas.

Para atazanar ainda mais o Tio Sam, na Venezuela de Simon Bolívar um Hugo Chávez eleito pela maioria índia do seu povo reergueu a bandeira contra o “colonialismo”. Convocou os vizinhos Evo Morales e Rafael Corrêa - índios como ele, também eleitos pelo voto – e “ameaçou” com socialismo. Foi demais para uma minoria branca burguesa enraizada no contexto capitalista ocidental cristão, há séculos no poder.

PENT9384a

Índios na Venezuela

O bom burguês não compartilha riqueza com ninguém. Muito menos com índio. É malhar em ferro frio. Haja vista para o que aconteceu com o presidente Rafael Allende no Chile, um médico com idéias socialistas. Elite branca só compactua com socialismo “ligth” como foi o de Mitterrand na França, de Fellipe Gonzáles e Zapateiro na Espanha, e o da Bachelet no Chile. Fracassada a revolução russa e o ingênuo sonho internacionalista de Trotsky, o que prevaleceu foi globalização do capital espoliador e o pragmatismo econômico que substituiu sistematicamente a ideologia. Remanescentes de um comunismo frustrado enrolaram sua  bandeira vermelha, a enterraram, e ai estão  maneirando  num socialismo “ligth”.  A tentativa de uma sociedade justa e igualitária idealizada por Marx foi pras calendas, e  sua máxima religião é o ópio do povo foi exorcizada. Mas não se pode esquecer  colonização e catequese, chinês dopado pelo ópio, fiéis de todos os credos lotando igreja, e “pastores” verberando nas TVs para arrecadar dízimos de crente.

Para um Tio Sam que dispõe de toneladas de megatons estocado, e um  currículo de extermínio de populações inteiras fica fácil descartar quem não se submete. Problema é que depois de Guevara e Fidel na vizinhança, no Oriente reapareceu Bin Laden, e, numa América do Sul secularmente domesticada, depois das FARC aconteceu o bolivarismo da ”indiarada” no poder. Algo inadmissível para os donos do pedaço. Coisa que faz lembrar Guevara, Fidel, Allende, guerrilha do  Lamarca  e seqüestro do embaixador americano no Brasil. Revoltante para quem estava acostumado a conviver com uma esquerda passiva que, com raras exceções, por qualquer centavo ou sinecura vira massa de manobra pra quem da carta. Logo liderança índia vai ter cabeça a prêmio. Pretextos não faltarão. O bolivarismo de Hugo Chaves provocou um Deus nos acuda!  Depois de décadas de regimes autoritários nas Américas com o aval internacional, sua elite branca não admite perder o mando pra índio. É por ai que a coisa pega.

Hugo_Chavez_4

HUGO  CHÁVEZ

Quando, depois de sua posse pelo voto, o “índio Chávez” começou a cumprir à risca promessas de campanha – coisa inusitada neste quadrante – botaram a boca no mundo e o acusaram de populismo. Mas o que na época surpreendeu foi ver o jogo de cintura do antigo operário presidente do Brasil, de braços dados com o venezuelano Chávez e seu arque-inimigo de plantão na Casa Branca. Qual seu propósito? Liderança na América Latina? Cadeira numa ONU inócua? Ou apenas mais um anteparo para  manda chuva do Norte?

A civilização ocidental cristã não admite uma nova Cuba. Embora  a  elite sul-americana  repudie ferozmente o socialismo do Chávez,  convive com o ”domesticado” da chilena Bachelet e do espanhol Zapatano. Depois das esmagadoras vitórias da “indiarada” em referendos populares, sempre comedido, na época o presidente Lula do Brasil não questionou seu colega venezuelano. Mas quem votou no operário brasileiro sonhando com utopia socialista quebrou a cara. Embora na América Latina o socialismo já tenha logrado o poder pelo voto, governo que “não se comportou”, dançou. Haja vista para o que aconteceu com Allende no Chile, e esquadra americana ao largo quando o presidente João Goulart tentou realizar reformas de base no Brasil.

Os que se dizem democratas criticam severamente governos de partido único, mas, hipocritamente, comungam com partidos que não representam nada, e um Congresso que sistematicamente se envolve com corrupção e farsa eleitoral. Partido pequeno que sonha com algo melhor, vira piada. Num continente onde prevalece analfabetismo e corrupção, pleito dito democrático é jogo de carta marcada. Fantasma do Guevara, marxismo das FARC, socialismo apregoado por Chávez, e “indiarada” no poder constituído, foi o bastante para que o onipotente Tio Sam lançasse  mão da Bolívia para atacar seu vizinho  equatoriano.  Alguns pálidos  protestos contra  violação de território resultou em nada. Apenas pequeno desconforto para algumas lideranças da América do sul, e mais uma inócua reunião de uma OEA acuada em Nova Iorque. Fato é que, além do Ortega na Nicarágua, na América do Sul os “índios” só contaram com a simpatia da Argentina e a diplomacia do Brasil. Como sempre, da pauta da mencionada reunião pouco foi extraído. Atacaram as FARC e  seu envolvimento com drogas, mas omitiram que seu maior consumidor é o povo americano.

george_washinton

GEORGE WASHINGTON

A descoberta de novos continentes no século XVI seria expectativa de algo novo. Mas o que aconteceu foram mais colônias para monarca europeu, e, em nome de catequese cristã, extermínio de gentio e avançadas civilizações tropicais. George Washington proclamou a república dos Estados Unidos, mas, republicano convicto, recusou a coroa que lhe foi ofertada, e aprovou uma constituição “enxuta” que deveria vigorar até hoje… A revolução francesa acabou com a dinastia Bourbon, instituiu também um regime republicano e aprovou uma carta magna nos moldes da inglesa. Mas, veio Napoleão, e “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”  foram para o ralo. Exaurido o secular faturamento colonial, depois de muita guerra e muito sangue a Europa se uniu e embarcou na globalização. Como todo bom inglês, John Bull ficou de pé atrás, ancorado no parceiro Tio Sam, mas mascarando petróleo e domínio estratégico como redentora caça a terroristas,  partiram ambos para uma nova cruzada contra o Islã.

Qual a perspectiva para o século XXI? Implodiu a ameaça comunista da antiga União Soviética, mas, capitaneada pela capenga democracia americana e a mofada monarquia britânica, periclita a economia globalizada. Não há muito que esperar de uma dupla ardilosa e prepotente, que falando em democracia sempre comungou com parceiros da pior espécie. “Pasteurizaram” a imagem de Che Guevara em “griffe” de camiseta, e só não “apagaram” Fidel porque também ele virou ícone internacional.

Até Sierra Maestra, convivendo proveitosamente com o truculento ditador Fulgêncio Batista o americano considerava Cuba seu quintal, e sempre arranjou pretexto para lá intervir. O todo poderoso Tio Sam sitiou a pequena ilha, e até hoje lá está à famigerada  da base militar de Guatânamo. Culto a Guevara e a Fidel persiste, porque povo cubano que se presa não esquece passado de colônia, nem prepotência do “colonizador”. Até Papa já se manifestou: “Deixem Cuba se abrir para o mundo, e deixem que o mundo se abra para Cuba”.

che5 CHE  GUEVARA

tsunami-14

Embalado pelo blábláblá de intelectuais empedernidos o século XXI começou mal, concentrando renda e alastrando miséria. É estarrecedor  que “meia dúzia” de homens ricos do mundo possua mais que  todos os miseráveis da Terra. Se  a situação se agravar, vai acontecer um tsunami da fome, e uma onda de famintos afogará o “nirvana” dos privilegiados. No rumo em que a coisa vai, não há mais como sonhar com um mundo melhor, onde progresso e comunicação instantânea proporcionassem divisão de renda e  fim da fome. Um novo mundo laico, livre de crendices, picaretagens, bomba H, esbórnia e requififes. Neste contexto podre  onde empresários e banqueiros ocidentais facínoras são socorridos com bilhões, só mesmo um mutirão “redentor” poderia livrar miserável da fome, e servir de exemplo pra nababo mulçumano oriental encharcado de petróleo. O que sonha com uma melhor organização política baseada  em socialização do capital pelo voto, vai continuar sonhando. Há que olhar para dentro, se dá conta da índole humana,  perceber que tribo selvagem vive melhor que o “civilizado” homem Branco.

Apesar dos ganhos sociológicos da civilização ocidental cristã, como enlevo da música, da arte, e do lazer; enquanto persistir o abismo entre rico e miserável continuará flagrante o seu fracasso. Se a antiga União Soviética implodiu empanturrada de ”hot-dog e afogada em “Coca-Cola”, agiotagem globalizada também merece ter um cobro. Nos sofisticados banquetes da alta burguesia a palavra marxismo não  faz derramar copo de uísque. Enfiaram no mesmo saco Lenine, Stalin, Mao-Tse-Tung, Guevara, Fidel, Hitler, Bin Laden e Hugo Chávez; mas parceiro autocrata que “colabora” ficou de fora. Karl Marx pode cheirar a mofo, mas a suada “mais valia” do trabalhador continua indo para o bolso do capitalista. Se vivo fosse, é óbvio que a análise política do judeu alemão seria outra.  Haveria autocrítica e  desalento por um sonho em vão… Mas lamentando seu ateísmo, até o Papa Bento XVI reconheceu que enquanto viveu Marx enxergou muito claro. No entanto, quando aconteceu à revolução bolchevique ele deve ter dado cambalhotas no túmulo. Não foi pensando no beato mujique russo que idealizou sua revolução. Quando botou o dedo na ferida do capitalismo, sua intenção era conscientizar o proletariado inglês engajado na luta contra a revolução industrial na Inglaterra.

karl_marx Ficou na história o bate-boca entre Marx e Bakunin no      século XIX. O filósofo alemão costumava considerar o anarquista russo “um intrigante, um maldito moscovita”, mas logo recebia o troco do colega: “Ditadura do proletariado só pode dar em merda”. A teoria da revolução marxista que aconteceu na Rússia todo mundo conhece. Mas vamos colocar aqui algo sobre o anarquismo do Bakunin: Não tinha ele o sentido de confusão, bagunça ou desordem. Significava ausência de governo ou mandante, negação do princípio de autoridade, e ausência total do controle estatal com suas instituições político-administrativas.  bakunin-2 O anarquista russo admirava o conhecimento de Marx, mas o considerava prepotente e defendia a auto-organização do trabalhador. Marx dizia que o pensamento de Bakunin era “uma salada de lugares–comuns, de palavrório sem sentido”, Mas não ficava sem resposta: “Se existir Estado, existirão também governados e escravos.” (…) um antigo proletário no poder, tão logo se tornasse governante ou representante do povo, não seria mais operário e passaria a observar o mundo dos trabalhadores de cima do Estado; não mais representaria o povo, mas a se mesmo e suas intenções de governá-lo. Quem duvida disso não conhece a natureza humana”.

Reclamaram de Bakunin uma explicação sobre suas teorias. Mas ele nunca explicou nada.  Dizia constatar  apenas  a triste realidade forjada pelo ser humano. Que propostas políticas idealistas “com Igreja e Estado no meio só podia terminar num despropósito brutal”. O pensador russo inspirou diversos movimentos contestatórios, como o ambientalista e o cooperativista de ocupação e reforma urbana. Depois da sua morte aconteceu a insurreição anarquista  de 1918 no Rio de Janeiro, e motivando a guerra civil espanhola em 1936, sua doutrina  correu mundo e criou várias facções.

Primazia do social sobre individual vem de um comunismo primitivo que regia antigas comunidades. Mas a igualdade utópica idealizada por Marx, com uma só classe e propriedade coletiva de bens de produção, logo esbarrou na condição humana e prepotência de Stalin, que desfigurou a revolução de Lenine, sem a qual burguês russo jamais  teria largado o osso. O regime comunista transformou um país medieval numa grande potência, mas, como era de se prever, o ranço tzarista contaminou e destruiu o que chegou a ser a poderosa União Soviética. Quando no século XIX a máquina a vapor reduziu a  mão de obra, o trabalhador se sentiu espoliado. Denunciando os  súditos da rainha que emboçavam o que chamou mais valia, Marx conscientizou o proletariado, inspirou a revolução russa, mas ela fracassou, e sua investida contra a  religião não teve êxito. Até hoje crentes se acotovelam pelas igrejas. Há que revelar o ignorante, mas que dizer dos letrados e doutos? Regido por monarquias, oligarquias e plutocracias, o fidalgo de ontem transformou-se no burguês bem sucedido de hoje, que como dono da terra e meios de produção barganhou princípio cristão pelo pragmatismo e espoliação. No século XVIII a revolução republicana empolgou a França. Mas o que aconteceu depois da queda da Bastilha foi caos econômico e Napoleão, e até hoje o liberal clássico busca viver exclusivamente em função de seus interesses.  Embora camuflada pela hipocrisia, esta é a regra.

Reconhecendo falhas na democracia Churchil morreu afirmando não haver nada melhor que ela. No entanto, se reencarnasse neste terceiro milênio voltaria correndo para o túmulo… Ai vão se configurando a inversão de valores apregoada por Nietzsche, o pessimismo de Schopenhauer, e a constatação de Splenger. Seja lá onde for, fica cada vez mais difícil identificar democracia. Tanto no Primeiro Mundo  como em país emergente,  atolados na corrupção de intelectuais de barriga cheia procuram justificar o injustificável.  No Brasil, depois de se eleger presidente acenando com passado de esquerda – em nome da governabilidade – um operário   deu  uma “quinada” pra direita.  Além do júbilo de banqueiro,  o que valeu foi esmola pra faminto sem tostão.

Quando deu um basta na agiotagem internacional para evitar colapso financeiro o governo argentino foi severamente criticado. No Chile aconteceu diferente. Mal tomou posse a “socialista” Michele Bachelet – ferrenha adversária da ditadura Pinochet – esqueceu o assassinato do Allende, a agiotagem internacional, e se enturmou com o capital globalizado. Desfrutando o  modelo econômico concentrador de renda a elite sul-americana procurou estabilizar a classe média. Mas,  repudiando a “ameaça” do socialismo pregoado pelo presidente Hugo Chávez,  seguiu convivendo airosamente com os “bem comportados” do Chile e da Espanha,  como já tinha ocorrido com o  da França. Apesar dos oito vitoriosos referendos populares, o socialismo do “índio” Chávez dificilmente seria admitido pela elite burguesa branca da Venezuela que historicamente sempre desfrutou as benesses do poder. Na Bolívia, também por plebiscito popular, uma esmagadora maioria confirmou o mandato do índio Evo Morales, e, no Equador, lá está Rafael Correa.

Comedido, o presidente Lula nunca questionou a “ameaça” socialista dos vizinhos. Será ele um finório? Sua política internacional é uma incógnita. Criticou a inoperância política da ONU – mas apesar do seu país está à  mercê da bandidagem -, enviou tropas treinadas para integrá-la  no Haiti, e depois de acusar  o americano de acobertar Israel e fomentar a crise do Oriente Médio,  se ofereceu  para media-la.  No Brasil,  apesar de muita manobra  e  corrupção  a custa do erário,  um Congresso  corrupto “comunga” com  o presidente do país, e tudo é feito a base de barganha.

. Repudiando partido único do socialismo o americano arrota democracia.  Mas no seu louvado sistema eleitoral – democratas e republicanos – são irmãos siameses, farinha do mesmo saco, que se acotovelam a serviço do império. Neste mundo balizado pelo capital globalizado, só tem assento  socialismo bem comportado.  Sem luta de classes,  sem divisão de renda.

A máxima de Marx, “religião é o ópio do povo” não consta em nenhum catecismo. Mas devia. Basta relembrar colonização, catequese de gentio, chinês dopado pelo ópio, e fiéis de tudo quanto é credo embasbacado pela lábia de pastor nas TVs, que numa feroz  gritaria  barganham dízimos por dádivas divinas. Há muito a burguesia baniu monarquias decadentes, mas nunca abriu mão de seu indispensável instrumento, a igreja. Livrando-se de arcaicas religiões, depois de 50 séculos de história a China isolou-se no confucionismo, mas sucumbiu dopada pelo ópio e artilharia municiada pela pólvora – artefato lúdico pra chinês –, que no século XIII o veneziano Marco Pólo levou para belicosa mão do europeu. Só séculos mais tarde a Guerra dos Boxers expulsou da China um bando de predadores ingleses, franceses, alemães, americanos, russos e japoneses (sic). Os chineses prosseguiram com sua filosofia aristocrática, mas veio a república, e depois Mao-Tse-Tung… Navegando manhosamente na globalização capitalista, a enigmática China comunista cresceu e transformou-se numa “ameaçadora” grande potência.

Quando andou pelo Brasil, o mesmo Bento XVI que com restrições reconheceu correto a análise político de Marx, fez equivocado pronunciamento afirmando que europeu e catequese cristã não causaram mal nem prejudicaram a cultura nativa das Américas. Na ocasião o Presidente anfitrião se calou, mas o vizinho Hugo Chávez botou a boca no trombone. Evocando a barbárie e a catequese que submeteu o gentio no continente americano, as comparou ao holocausto, e exigiu uma retratação do pontífice. Valeu à bronca. Embora não a tenha mencionado, de volta ao seu palácio no Vaticano ele logo se retratou. No entanto, parece que até hoje monarca europeu não se deu conta que perdeu suas colônias nas Américas. Haja vista para o desmando do rei Juan Carlos da Espanha que, mesmo sendo penetra numa reunião de lideranças sul-americanas, tentou calar chefe de estado soberano com o “por que no te calas” endereçado ao    presidente Hugo Chávez, eleito pela maioria índia de seu país.

Mesmo tendo capitalizado saber na extraordinária era da cibernética, no trato caseiro o cidadão comum se embasbaca com a parafernália que dispõe. Menu de mero telefone celular é mais surpreendente que qualquer consagrado milagre religioso. O telescópio eletrônico possibilitou a localização de planeta semelhante ao nosso além do sistema solar, e está próximo o dia que o homem partirá em seu encalço. Entretanto, se como um passe de mágica colocasse lado a lado Copérnico e o maior cosmólogo contemporâneo, a incógnita de onde veio e pra onde vai o rescaldo do suposto Big Bang continuaria sem resposta objetiva. É assunto que letrado desconversa, religioso apela para a fé, e o bronco não alcança. Apesar do vertiginoso progresso intelectual do bicho-homem, é desconcertante seu apego a suposições e lendas infantis. No avançado estágio em que se encontra, chega a ser patético seu apelo à religiosidade, a metafísica e revelações empíricas. Ele aceita tudo. Menos que seu existir neste planetinha seja coisa de somenos.

fernando-pessoa.jpgVem bem a propósito esse texto de Fernando Pessoa: ” Fátima é o nome de um lugar da província, não sei onde ao certo, perto de um outro lugar do qual tenho a mesma ignorância geográfica mas que se chama Cova de qualquer santa. Nesse lugar – esse ou outro – ou perto de qualquer d’elles, ou de ambos, viram um dia uma das crianças aparecer Nossa senhora, o que é, como toda gente sabe, um dos privilégios (…) Assim diz a voz do povo da província e a “VOZ”  do (jornal católico e monárquico)  de Lisboa”. (…) “deve ser verdade, visto que é sabido que a voz das aldeias e “A VOZ” da cidade de ha muito substituíram aquelas velharias democráticas que se chamam, ou chamavam, a demonstração científica e o pensamento raciocinado”, ironizou.

Enquanto seitas pentecostais ai estão na mídia absolutas, arrecadando dízimos com grotescos espetáculos da era medieval, do trono do seu suntuoso palácio romano o Papa mais parece um monarca que um pastor de ovelhas. Por onde  anda  é recebido com tal pompa, que ao distante mendigo famélico só resta se benzer. Se seguido por devoto Cristo sempre andou a pé; viajando a jato pelo planeta com seu faustuoso séqüito, da blindagem da sua Mercedes o sumo pontífice mais parece um “superstar” contemporâneo. Decorridos vinte e um séculos de cristianismo a “divina” imagem do homem mais parece a do demônio. Genocídio virou rotina, e a maldita bomba H pode antecipar de vez o fim do planeta pela fome ou degradação ambiental. Quanto ao banho de sangue inocente, não há como distinguir fundamentalista mulçumano de pentecostal americano. No entanto, ai está  à mídia ocidental cristã  tomando partido, tachando de  terrorista o mulçumano que defende sua terra invadida como pode.

papa%20movel%20se

Papamóvel

Ao tempo que investe furiosamente contra os que se matam em nome de Alá,  a mídia ocidental fatura espaço pra tudo que é credo arrecadar dízimo e enganar otário. Justo seria se nas TVs infestadas de pastores um ateu também tivesse sua vez, minutinho que fosse. Além de interromper blábláblá de cientista político analisando contexto ocidental falido, informaria ao  telespectador  – calejado  de ver   padre pedófilo e dólar em cueca de político  – que depois de repetidos “recalls” -, reconhecendo erro de fabricação no bicho-homem, o pai nosso de cada dia já se mandara para uma outra galáxia.

No badalado Programa de TV do apresentador Jô Soares, quando o descalabro político “esquenta” no PLANALTO, lá estão quatro competentes e charmosas jornalistas.  Mas quando a pauta é o “índio” Hugo Chávez e Venezuela no MERCOSUL, capciosamente vêm à baila problema de etnia… Comparando MERCOSUL com UNIÃO EUROPÉIA, uma das belas atribuiu ao status europeu a homogeneidade do seu estagio civilizatório. Na Europa nunca botaram um índio no poder.

Nórdicos olhos azuis – boa pinta e Q.I. privilegiado -, com sua exuberante verve e competência o jornalista, cronista e cineasta Arnaldo Jabor é mais um que não se conforma com “indiarada” no poder.  Critica o bolivarismo de Chávez e avacalha Simon Bolívar -  que perdeu sua fortuna sonhando libertar o continente americano do jugo colonial  -  tachando-o de “ridículo sub-Napoleão da América Latina“. Mas quando o ex-comunista Jabor fala de revolução bolivarista como visão quixotesca do marxismo – acerto de peça sem concerto -, constata a realidade do que realmente acontece, e não há como discordar… Entretanto, é sintomático ver a elite investir contra índio, quando entre “pares”, vale tudo. Tous va très bien Madame La Marquise. Mas aturar indiarada no poder falando de socialismo, é demais… Para o bom burguês, desde a colonização índio nunca foi dono de nada. Lembra pedra lascada, retrocesso e atraso.

Neste planeta judiado, quem digita estas linhas pretendia escrever algo sobre a auto-ajuda, mas seria perda de tempo tentar concorrer com o talento Jabor:Enquanto milhões de árabes se acotovelam em Meca, unidos na única certeza de Alá, nos estamos sós. Não temos Alá; só temos cinema americano, nossas religiões são ralas, não nos prostam a rezar para Meca, como lagartixas felizes cinco vezes por dia; vivemos dentro da angustiante democracia liberal, que nos amaldiçoa com esta liberdade inútil. Por isso, Amélie Poulain me inspirou uma lista de conselhos de auto-ajuda para nos devolver uma abjeta e deliciosíssima felicidade neste mundo sinistro.

image001

Arnaldo Jabor

“Eia! Avante, românticos sofredores, cidadãos nostálgicos do bem, aqui vai um alcorão substituto, um guia de sobrevivência na selva global. O princípio básico é o “Não” – a negação de evidências, a técnica de nada ver, a “conduta de evitação”, como fazem os fóbicos. “Não” olhar a miséria nas ruas, evitar os menininhos nos sinais cariocas, principalmente à nova invenção dos pequenos desgraçados, fazendo malabarísmos com três bolinhas para ganhar esmola, menininhos esfarrapados diante de BMWs indiferentes”.

Quando, cercado por “ex-guerrilheiros”  da   esquerda um operário surpreendeu elegendo-se presidente do maior país da América Latina, a alta burguesia entrou em pânico.  Parte da pequena exultou, e, mesmo ressabiada, a massa analfabeta achou que um dos seus estava no poder. No entanto, face à competente e enraizada direita – quem de fato ousou enfrentá-la está morto –,  alegando que “ensarilhar armas” era amadurecimento político, uma  ”aguerrida” corriola dita de  esquerda mudou  seu discurso e  foi  se engajar no contexto gangrenado do Planalto.  Em vez  de reforma econômica,  o que veio de lá foi  esmola pra miserável.

Disse o José Saramago que “Os homens são incapazes de dizer o que são se não puderem alegar que são outros”. Fato é que sabendo maneirar a burguesia encontra sempre pretexto maroto para eximir-se de culpa pelo que ai está.  Num desmando nunca visto  – depois da posse – o ex-operário Presidente  ficou cego, surdo, e mudo, e, refestelando-se no banquete globalizado, deixou a xepa pros antigos companheiros do agreste.  Outro Zé, o Dirceu, tido como “guerrilheiro da pesada” – que  trocou de cara para fugir da ditadura militar -  mesmo sem  púrpura cardinalista se tornou a eminência parda do primeiro governo Lula. Se enganaram os ingênuos que o julgaram capaz de empolgar e revolucionar o governo. Ledo engano. O revolucionário “radical” acabou engolido pela “camarada Helena”, codinome do passado “subversivo” de Dilma Rousseff, que no auge da contenda deixou só seu companheiro  Lamarca,  líder da resistência armada contra a ditadura.  Ela  largou do pesado,  maneirou,  para décadas depois ir se refestelar no Planalto.

6500_carlos_lamarca

LAMARCA – guerrilheiro

Antes do bolivarismo de Chávez na Venezuela, embora no Brasil seu presidente operário tivesse se atrelado ao contexto internacional, liderado pelo seu braço direito Zé Dirceu, o  assalto ao erário poderia até ter significado captação de recursos para implantar uma revolução socialista no país. Mas, o que de fato ocorreu foi mudança de credo e roubalheira.  Esqueceram os companheiros  que tombaram na luta contra o tacão militar e a elite burguesa corrupta no Araguaia, e,  maneirando sempre,  foram se enturmar com a corja que contaminou o Congresso, e salve a democracia!

000169990

BOLÍVAR– O homem que lutou pela America Latina

brasil2

Jovens recrutados pelas FARC

Sem questionar o porquê de uma legião de moças e rapazes – nativos e da vizinhança -  que numa rotina espartana militam em suas fileiras, a mídia internacional vocifera contra as FARC colombiana, Ignoram que sua gente enfrenta selva inóspita, sem lazer nem “happy-hours”,  num combate sem tréguas contra governos oligárquicos municiados pelo todo poderoso Tio Sam. O que pretendem eles? Será que são bandidos loucos e inconseqüentes? Ou, respeitando a luta libertária de Bolívar e Guevara – e os quarenta anos de luta justa das FARC contra  regimes totalitários – ingenuamente ainda sonham com socialismo nas Américas? A quem questionar? Aos jovens guerrilheiros  sul-americanos  que  lançam  mão  do  narcotráfico  pra  lutar, ou  aos  que participam de guerras de conquista, e, alienados e drogados dizimam colegas universitários sem nenhum propósito?

Existe a estória que o general Degaulle afirmou “não ser o Brasil um país sério”. Considerando nosso passado colonial sangrento e escravagista, que esquartejou  Tiradentes e exibiu cabeças do bando de Lampião em praça pública – num país onde hoje se mata mais que na guerra –, não se pode atribuir a pacifismo o “mote” da atriz Brigitte Bardot, conterrânea do general. Deixando para trás o golpe militar de 1964 no Brasil, ela desembarcou em Paris empolgada com uma revolução onde “sequer um tirinho foi disparado!” Resta lembrar, que por falta de pão a revolução francesa cortou cabeças privilegiadas da fidalguia, mas até hoje emigrante chafurda lixo, proletário continua comendo pão, e a elite brioche.

maria-antornieta-p

Perdeu a cabeça por causa dos brioches.

Quando ficou de pé o bicho-homem alcançou a fala,  a escrita, e desenvolveu sua inteligência até a organização política social dos gregos. Mais tarde, depois que uma Europa feudal  foi invadida  pelos  bárbaros,  aconteceu a Guerra dos Cem Anos, vieram  as Cruzadas e a inquisição; mas também a Magna Carta Libertatum, mãe do  futuro constitucionalismo. Foi o período da Idade Média que estruturou a civilização ocidental com gente como Leonardo da Vinci, Carlos Magno, Descartes, e  Giordano Bruno, que ao contrário de Galileu Galilei, por não abrir mão de suas convicções,  acabou queimado vivo na fogueira do ”Santo Ofício”.

Na idade contemporânea o vertiginoso desenvolvimento da tecnologia eletrônica facilitou a vida do intelectual moderno, que  clicando um teclado digital dispõe instantaneamente de séculos de saber acumulado. Mas depois de muito doutorado, Pós-Graduação e Mestrado, ninguém se da conta que Pitágoras não deixou nada escrito, e, só conhecido pelos escritos do seu pupilo Platão, embora considerado o mais sábio dos homens Sócrates era analfabeto e   declarou saber que nada sabia.

Alavancado pelo saber acumulado através dos séculos e favorecido pelo vertiginoso avanço da tecnologia, na época em que este escrito se articula o homem moderno não admite ser apenas um espécime apurado da fauna animal deste planeta doente. Arrogante, alardeando civilidade e progresso, ele acredita ser imagem divina. Porém, da antiga Carta Libertatum até os dias de hoje é desconcertante o que resultou de elaboradas lucubrações religiosas, políticas, e filosóficas: Concentração de renda na mão de meia dúzia, e os requififes de uma  alta burguesia  a contrastar com  inócuas estatísticas  sobre  miséria e crianças mortas pela fome.

Omitida do vocabulário capitalista, é a “mais valia” que patrocina o consumo desenfreado e a esbórnia dos bem-aventurados. Gente que pratica o sinal da cruz, mas despeja sobras e princípios cristãos no lixo onde chafurdam os miseráveis. Neste mundo globalizado, onde pequena e média burguesia se acotovela para galgar o topo da pirâmide social, marginalizados não contam. Mas enquanto a Meca do capitalismo faz malabarismo para conter um novo craque financeiro, a auto-suficiência do sistema capitalista  desmorona, e lá se vai pro ralo o badalado “way- off- life” americano.

mao-tse-tung

Mao-Tse-Tung

Manhosamente embutida no “affaire” capitalista globalizado a China comunista progride vertiginosamente. No arcaico tempo de Confúcio prevalecia o princípio do príncipe virtuoso que governava o povo a sua imagem, mas para uma população que  ultrapassa um  bilhão e trezentos mil - e um dia Mao-Tse-Tung doutrinou – vai ficar difícil prevalecer modelo econômico ocidental.

Embora berço da democracia e da república, foi da Grécia de Platão que veio a mancha da escravidão. Depois de séculos de conflitos e sangue, que dizer do europeu, da  moderna democracia americana, e do antigo lema libertário da revolução francesa: Liberdade, Igualdade, e Fraternidade? Não há como prever o destino do bicho-homem – grão de areia perdido neste infinito universo em expansão – nem até aonde irá parar o que ele nomeia evolução civilizatória.  É bom não esquecer que na Terra toda espécie de animais  se sucederam em ciclos. No alucinante surto de progresso  ocorrido nestes últimos cinqüenta anos, o bicho-homem avançou mais que em todo seu passado. Infelizmente, avanço material e tecnológico pouco contribuiu para ganho social.

Há quem afirme que os sangrentos conflitos que se sucederam na Europa proporcionaram a tolerância entre sua civilizada população. (sic). Como exemplo de atraso apontam uma América Latina de excluídos e miseráveis, aonde, consumado pelos militares, os conflitos sempre se restringiram a golpes subsidiados pela bem fornida alta burguesia. Aguardando sua vez para galgar os degraus da escala social,  a pequena sempre ficou de fora,  resmungando contra salário, convivendo com um arremedo de estado democrático. Há também os que atribuem o progresso da União Européia a ajuda externa que  a socorreu desde o segundo conflito mundial. Enaltecem o Euro, lamentam a falta de assistência à América Latina,   mas  omitem discriminação dos  emigrantes africanos que  deixaram para trás sua terra espoliada pelos europeus. No continente sul americano os que reclamam  ajuda do Tio Sam são   “ingratos”.  Esqueceram a “ajuda” que sua poderosa frota deu ao Brasil  para consolidar a “revolução redentora”,  não se lembram  da sua atuação para salvar o Chile da “ameaça comunista” do Allende, nem do seu maciço apoio a Uribe para livrar a Colômbia das FARC. Fato é, que quem está no mando é quem da cartas. Neste mundo de sete bilhões de “almas”, o que prevalece  são os monopólios e cartéis, cujos  donos comem bem, vestem bem, moram bem, e representam bem a farsa da cidadania.

O SAMBA DO CREOLO DOIDO

Lá pelos idos de 1949, caminhando num dia chuvoso por Copacabana com sua esposa Andrea, grávida de cinco meses, o jovem Zé Geraldo deu de cara com o guapo e mulherengo Sérgio Porto – o polivalente Stanislaw Ponte Preta -, ex-namorado da moça. Para pasmo dos passantes, ele arriou seus metro e oitenta na calçada molhada, e, de joelhos, mãos postas, agradeceu efusivamente o amigo por livrá-lo do “abacaxi”. Obviamente, depois da espalhafatosa piada, levantou-se e abraçou o casal. Jornalista, radialista, teatrólogo e humorista, um dia o Sérgio saiu-se com esta: ”Se peito de moça fosse buzina, ninguém dormia nos arredores daquela praça”. Disseram que era apolítico, mas com estas 12 palavras resumiu o puritanismo da sua época. Com mais cinco: O Samba do Criolo Doido”, retratando a salseirada dos enredos de escolas de samba sobre história do Brasil, definiu magistralmente o que acontece no planeta.

Stanislaw_Ponte_Preta

SERGIO  PORTO

O homem é ardiloso, manhoso. Sabe sair pelas tangentes e ignorar o que não lhe convém. Embatucado com o  imponderável universo  que conhece, evoca o curvo de Einstein, gasta trilhões em nome do progresso científico, e se escora na religião para equilibrar raciocínio e satisfazer o ego. Condiciona sua cidadania a normas religiosas e balizamentos políticos, exemplares no papel, mas sem nenhum valor quando não ratificados pelo poderio bélico que demarca fronteiras no mapa. Entretanto, fruto de trabalho defensivo, a única coisa visível do espaço sideral é a Muralha da China.

Autor da Lei de Hubble foi o astrônomo americano Edwin Hubble que descobriu estar o universo em continuada expansão, e que além da nossa Via Láctea existe bilhões de outras galáxias. Com métodos precisos determinou uma relação entre deslocamento do comprimento de onda de luz e a distância de uma galáxia, o chamado de Efeito Doppler, grande avanço da astrofísica, onde a distância no espaço pode ser medida pelo comprimento e velocidade da luz. Em sua homenagem é que foi construído o Hubble, o primeiro telescópio eletrônico espacial.

Depois de esmiuçar a macro cosmologia  e a nanotecnologia, e partir aleatoriamente em busca de outras dimensões do espaço sideral – ignorando o magote de crianças do terceiro mundo que morrem de fome todo dia –, cientistas do primeiro esbanjam bilhões com o “Reality Show” do LHC ( máquina de falar com Deus ). Um acelerador de partículas construído a 100 metros de profundidade, que com seus 27 quilômetros de extensão – abrange  três países europeus. Ele irá acelerar prótons de hidrogênio para provocar tremendo choque com que esperam libertar a suposta partícula subatômica de Bóson Higgs - imaginada há mais de 40 anos pelo físico britânico Peter Higgs. Para muitos cientistas ela é  considerada o modelo padrão que a cerca de 13,7 bilhões de anos originou o “nosso” universo. Entusiasmados com a ciclópica ferramenta com a qual pretendem encontrar a partícula mãe, cientistas contemporâneos afirmam ter sido ela à mensageira que se integrando ao campo de outras energias provocou o Big Bang. Embora o renomado físico Andy Parquer tenha declarado ser o acelerador de prótons “um brinquedinho bem interessante” seus colegas esperam que tal descoberta irá acabar com a reputação de gerações de consagrados cientistas. Se confirmada à existência da partícula de Bóson, o crente afirmará ser ela milagre divino, mas todo este esmiuçar do micro não responderá à pergunta macro: de onde veio e pra onde vai à matéria que hora se expande espaço sideral afora?

lhc_visao_aerea

SHOW DO LHC

Visão Aérea da área subterrânea do LHC que abrange três países.

gran_detector_CMS_acelerador_particulas_LHC

Acelerador de partículas do LHC

fome

SHOW DA FOME

favelas

FAVELA

O que pode justificar tão ignóbil contradição?

“Só mordo quando ameaçado.”

Quando da primeira Guerra Mundial – sequer  tinha começado a segunda -, o pensador alemão Oswald Splenger começou a escrever seu livro A Decadência do Ocidente convencido do desaparecimento da civilização ocidental: “Assim termina o espetáculo de uma grande cultura, esse mundo maravilhoso de deidades, artes, pensamentos, (…) resumindo os fatos primordiais do sangue eterno, que é idêntico às flutuações cósmicas em seus eternos ciclos.” Até hoje não lhe pouparam críticas: “Quantos pensadores não se confundiram, enganados pelos sinais do seu tempo? (…) ver “decadência” no que depois se verificou apenas um entreato, uma tomada de fôlego para ensejar uma ascensão ainda maior de uma civilização? (…) acreditou que a cultura ocidental, como uma enorme planta moribunda estava em via de sucumbir por inteiro”.

O que hoje escreveria Splenger sobre bomba H, sangrentas frentes de batalha, morticínio nos centros urbanos, tortura oficializada, falência econômica globalizada, miséria se avolumando, e o alerta ecológico prevendo a inexorável destruição do planeta?

Com o progresso da astrofísica,  da nanotecnologia, da macro cosmologia, e da física quântica – são incríveis as conquistas na eletrônica e na cibernética -, mas o homem ainda não conseguiu destrinçar toda a complexidade do seu próprio cérebro. Se afigurando como um amontoado de carnadura,  ele é mais complexo que qualquer maravilha eletrônica já engendrada. Embora com o avanço da medicina e da longevidade - em breve a média de vida alcançará 100 anos -, fica no ar a pergunta: Será que daqui a 500 a civilização ocidental cristã sobreviverá? Quem achou que Splenger escreveu motivado pelo morticínio na primeira guerra mundial e a perspectiva de uma  segunda,  pode ter se equivocado.

TALES DE MILETO

tales

Problema sério é  falta de opções para prosseguir…   Depois de 2000 anos, embora cultuando seu Jesus e lendo sua Bíblia,   a   civilização cristã está em  decadência, falindo; enquanto   a Mulçumana –  a segunda mais numerosa do mundo –  continua com suas radicais contendas seculares, seu fundamentalismo,  seu Alcorão, seu  petróleo,    e  seu  profeta Maomé.  O grande problema da filosofia é conseguir definir o existir. Ela começou no século VII a.C. com o grego Tales de Mileto - marco da  filosofia ocidental -  contestando os conceitos gregos que consideravam deuses os elementos da natureza. Quase dois mil anos e meio antes de Charles Darwin afirmou ele  que “O mundo evoluiu da água por processos naturais”, e, Empédocles, o seu mais  chegado discípulo, já dizia que “Sobrevive aquele mais bem capacitado”. Segundo Platão e Aristóteles, ”No início foi o mito religioso que influenciou os filósofos, mas foi à filosofia que baniu o sagrado da formação da Grécia e de toda Ásia menor”. O posterior entendimento do homem adveio do conhecimento acumulado através do tempo, do estudo abstrato do mundo, que foi mãe da filosofia e da ciência.

BERTRAND RUSSEL

bertrand-russell

Desenvolvimento e progresso da tecnologia facilitaram saber, mas os filósofos contemporâneos  continuam  se escorando na sabedoria de um Sócrates analfabeto, que a mais de 20 séculos orientou o homem para os valores universais. Seu discípulo Platão definiu o conhecimento causal em favor do homem, Descarte fez da filosofia o estudo da sabedoria, e Kant disse que ela e a ciência estabeleceram a razão humana. Conte considerou que a ciência deve se unificar num sistema coerente aos conhecimentos universais, e Bertand Russel afirmou ser a filosofia uma tentativa obstinada para atingir o conhecimento real dos três defeitos inerentes ao homem: “É convencido, incerto e, em si mesmo, contraditório.” A metafísica dominou a filosofia na idade média, o positivismo  delegou  conhecimento  às ciências, o crítico questionou a validade do saber, e a metafilosofia da filosofia se impõe quando não há como definir sem que se tenha compreensão de definição. No entanto,  o que  prevalece  é  a dúvida e a limitação do raciocínio.

Enquanto o animal predador carnívoro convive  integrado à natureza,  só arreganhando suas presas para  mitigar a fome,  o divino homo sapiens se tornou um predador implacável, embora seus caninos atrofiados sugerissem uma mudança. Sua luta pelo “pão nosso de cada dia” foi longe.  Sobreviver em campo aberto aguçou-lhe o raciocínio e acelerou a evolução da espécie, cujo ganho social depois de milênios ai está. Mesmo com caninos atrofiados, o homem bem posto na vida continua devorando toneladas de carne do reino animal,  destruindo sistematicamente a natureza, e, concentrando renda, dizima pela fome os excluídos de sua própria espécie. Crianças  aos  milhares morrem de fome todo dia, e mais de um bilhão de miseráveis não tem nada pra comer. A eufórica globalização da economia acabou estagnada, e a perspectiva é de dias tenebrosos. Verdade posta de lado por  quem se diz respeitável, mas ignora a  fome  epidêmica e  mobiliza-se para socorrer empresários e banqueiros criminosos.

Só   medidas radicais  de governos ricos e divisão de renda poderiam minimizar miséria no planeta. Mas a prioridade é concertar a máquina quebrada, e o miserável continuará sendo méro dado estatístico esperando pelas sobras da sua produção. O homem nunca foi capaz de uma existência compartilhada. Jamais houve empenho  para racionalizar distribuição de renda e  acabar com a miséria. Ordem constituída e religião deram no que ai está. Em 1947 a inócua ONU estabeleceu que “todo homem, mulher, e criança, tem o direito inalienável de ser livre da fome e da desnutrição…” Mas palavrório não basta.

No começo do século passado, nem só Splenger criticou a civilização ocidental cristã.  Assustando  mais que a  “ameaça” comunista de Marx, Bakunin deixou a alta burguesia de cabelo em pé.   Criticando o socialismo e a democracia,  mesmo se referindo ao nazismo como “soberba besta loura que ronda a procura de presas e carnificinas”, Nietzsche também assustou.  O acusaram de  racista, mas  ele deu o troco: “O homem procura um princípio em nome do qual possa desprezar o homem. Inventa outro mundo para poder caluniar e sujar este; de fato só capta o nada e faz desse nada um Deus, uma verdade, chamados a julgar e condenar essa existência”. Na década de 60 do século que passou, depois de Sierra Maestra em Cuba,  a coragem  e   o espírito  libertário do  revolucionário  argentino  Che Guevara apavorou as oligarquias Sul Americanas. Mas ele foi esmagado,  e habilidosamente a mídia  transformou sua imagem em grife de camiseta.

O século XXI ai está. Mas, indiferente a fome que o circunda, o homem bem posto na vida continua devorando toneladas de carne animal, destruindo sistematicamente a natureza, indiferente a fome que o circunda. “Haverá um tempo em que os humanos se contentarão com alimentação vegetariana e julgarão matança de animal inocente como julgam o assassino de um homem”, Leonardo da Vinci.

leonardo-da-vinci

LEONARDO DA VINCI

Auto-retrato.

Na Idade Média burgo significava vilarejo fortificado dos nobres, local onde eles conviviam com seus súditos, artesões e comerciantes, que mais tarde iriam ser à base da classe média do capitalismo contemporâneo. No século XIX ela já dominava o modo de produção, e o movimento marxista a batizou de burguesia. De  lá  para cá, como uma metástase, corporativismo e compadrio a  contaminaram  e  a dividiram  em  classe alta, média, e proletariado. Como sempre,  o  faminto ficou de fora.  Apesar de  hoje cantarem loas ao  mundo globalizado, da Idade Média para cá ele pouco mudou. Apoiados num saber acumulado desde Tales de Mileto, os eruditos e bem intencionados filósofos da atualidade sobrecarregam inutilmente o hemisfério esquerdo do cérebro. Como disse o inglês George Berkeley, “A abstração dos filósofos é um conceito que não leva em conta determinados valores específicos”. O pensador moderno que pensa enxergar adiante, deve lembrar Espinosa: “Se eu vi mais longe, foi por estar de pé sobre ombro de gigantes”.

Kant comparou seu papel na filosofia  à revolução  de  Copérnico na astronomia. Dizia o filósofo alemão “que juízo analítico não faz avançar o conhecimento, porque fica dentro dos conceitos da mesma proposição”. Afirmou ele que a filosofia deveria responder a três questões: “O que sei? O que devo fazer? O que devo esperar?” Não  por  um  milagre  divino do cristianismo – até hoje incapaz de livrar o planeta das mazelas que padece -, menos por um fundamentalismo  maometano  suicida e discriminador da mulher, ou Budismo e yoga, pregações vindas do lado oriental, que pelas bandas de cá vão se ampliando como prática de vida. Considerado como grande filósofo do início da era moderna, Kant admirava pensadores do passado como, Demócrito Lucrécio e Heráclito, aquele que recebeu o cognome de “pai da dialética”, e, enquanto viveu, abominava políticos, poetas, e religião.

India_armamento

Míssil atômico da Índia

Oriundo de uma Índia que em 2035 deverá ultrapassar a população da China – embutido na religião hinduísta – o budismo convive com um sistema de castas que vai além do preconceito  e  privilegia uma intricada escala de escravos, párias, camponeses e brâmanes.  Há também os intocáveis  e  os Dalits, “excomungados” que sequer podem ser tocados. Calcada nos moldes das ocidentais a constituição da Índia não discrimina religião, e proibição geral de castas ficou apenas no papel. Se nenhum guru até hoje sequer abrandou a miséria do seu povo, não será com meditação que eles vão alimentar planeta faminto. O melhor que se pode esperar da Índia e do Paquistão é que não deflagrem seu “consentido”  arsenal atômico.

starving_children

Fome na Índia


200901290119330_yoga

YOGA


Fim da primeira parte.

Comentários e sugestões no blog:

www.zegeraldo.wordpress.com

SEGUNDA PARTE

AGOSTO DE 2009-08-02

www.zegeraldo.wordpress.com

Ao se condenar o regime de castas e os Dalits na Índia, não pode ficar de lado o exemplo escravagista grego-romano nem a imperdoável conivência da Igreja Católica e das cristãs com a infâmia da escravidão. Hoje tem muita gente embasbacada com conquista da democracia e avanço espetacular da macro e da nano tecnologia, e, apesar da sua complexidade, a “Teoria da Relatividade” de Einstein está na boca de um homem comum perplexo, que antes entendia bem a estória da maçã de Issac Newton. Fato é que, sem pós-graduação e muito doutorado, além dos iniciados ninguém entende nada de Big Bang, Universos Paralelos, Constante Cosmológica, Física Quântica, Cálculo Tensorial, e Teoria das Cordinhas. É por isso, que aqui vão sendo retratados os “cobras” cujo raciocínio tornaram possível alcançar a racionalização da idéia de cosmo.

schopenhauer3

Schopenhauer

Voltando a falar da fome no século XXI,  há que lamentar  o  vão   filosofar dos bem dotados do passado, cuja filosofia nasceu de suas inquietações e  curiosidade em  questionar valores e interpretações de sua própria realidade.  Eles conseguiram  repassar conhecimento  de geração pra geração, mas foi inútil.  Muito antes da era cristã já dizia Confúcio: “que o sábio não se aflige porque os homens não o conhecem, mas porque ele não conhece os homens”. No século XVI Francis Bacon deduziu que “experiência controlada pela razão, pelo visto foi inútil”, e, no XIX, Nietzsche afirmou: “O esforço dos filósofos tende a compreender o que seus contemporâneos se contentam em viver.” Naturalmente se referia a burguesia, porque pária sempre ficou de fora. Há que considerar o que  Oswald Splenger escreveu no início do século XX, e encontrar uma forma para evitar o que de fato se avizinha. Os  conhecimentos transmitidos pelos gênios da antiguidade vieram num crescendo até os dias de hoje, mas como disse Schopenhauer: “ler é pensar com cabeça alheia, em lugar da própria”. Quando século e meio depois o índio Juruna buscou a civilização para ser deputado federal, o professor Clóvis Brigagão prontificou-se para alfabetizá-lo, mas depois de duas ou três aulas o “cacique” deu um basta. “Ocês branco vive lendo, vendo TV, só pensa com a cabeça dos otro”. Juruna pensou como Schopenhauer.

É bom não esquecer que dos 26 pares de nossos cromossomos só 2% deles nos separa do chimpanzé. A estória de ser o homem imagem divina é piadaHá que  encarar a verdade.  Ante a grandiosidade  das galáxias que se expandem universo afora,  ter humildade  para continuar  mourejando neste planetinha aprisionado em órbita de um Sol de 5º grandeza, onde visto do espaço sideral os  humanos mais  pareceriam  colônia  de  formigas  ou enxame de abelhas.

Apurado  durante confrontos fratricidas, todo desenvolvimento tecnológico do século que passou resultou em bomba atômica e genocídio. Mas o acelerado avanço científico inflou o ego dos doutos, que na busca da infinitesimal partícula de Higgs ignorou criança faminta, e ai estão gastando trilhões com o gigantesco  acelerador de partículas “LHC”. Na tentativa de explicar a massa da partícula elementar e encontrar outras dimensões no espaço,  o acelerador de prótons envolverá cerca de 2 mil físicos de 35 países. Caso fracasse a experiência,  dizem alguns cientistas que ela irá provocar uma catástrofe cósmica engolindo a Terra num Buraco Negro.

boson de higgs

Partícula de Boson de Higgs

Considerando o custo astronômico da empreitada, ante este quadro arrepiante devemos questionar os que crêem em Deus, os agnósticos e os ateus.  A estória se complica, quando a revelia  das normas  jurídicas   religioso procura inverter o ônus da prova da existência divina exigindo-a de quem a contesta.  Embora alguns tribunais laicos ainda exijam juramento com mão na bíblia, e  a mídia  exiba  espetáculos religiosos grotescos,  nem sempre  tais aberrações são assimiladas  pelo  cidadão  de  inteligência  média.  Se toda suposição vale,   para    o   crente    sempre  existirá  um argumento a favor da fé.   O que  desalenta  o céptico é constatar que  até  hoje  o obscurantismo da Idade Média está presente.

10

Exsorcísmo

Se o homem raciocinou por acaso, descrença de ateu veio do nada. “Parece-nos que o homem feliz não colhe vantagem alguma em ser ateu. É tão agradável cismar que os seus dias se prolongarão além da vida!”. Contra o ateísmo, foi este o argumento encontrado pelo o gênio do cristianismo René Chateaubriand. “Mas a vantagem do ateu é não se queimar no fogo do inferno”. Diante da incrível capacidade do cérebro humano,  do germinar de uma semente, da beleza de uma flor, e das galáxias que se expandem pelo universo; é compreensível que o estupefato busque a muleta da religião.  Mais fácil que lidar com a Relatividade de Einstein, com o Universo Elegante do físico americano Brian Greene, com os Buracos Negros de Stephen Hawing, ou estudos do afro-americano Neil Tyson – diretor do Planetário Haydem – que considera que os fenômenos da natureza só serão entendidos por inteligência superior.

DeTyson

TYSON

Neil Tyson

A mais de 500 anos a.C. Tales de Mileto considerava a água mãe da natureza, princípio único do universo. Mas como aconteceu com Sócrates que não escrevia suas idéias, as suas também só ficaram conhecidas através de seus discípulos. Por ter ele se envolvido com o magnetismo e previsto um eclipse solar, o sábio Aristóteles se equivocou julgando que para ele as coisas eram cheias de deuses. Mas Tales nunca cultuou Divindades. Entretanto, sua retórica a favor da existência do divino ajuda crente  buscar subsídios nos pensadores do passado. A dialética sofista é tachada de estratagema, e, invertendo a ordem das coisas, o religioso exigi que o ateu prove que Deus não existe. Não acreditando no “milagre dos pães”, obviamente o ateu que se preza estará mais preocupado com os  milhares de crianças que morrem de fome  todo o dia que com DNA de deidade. Como se também não fosse responsável pela esbórnia que hoje campeia no planeta, o “ungido” não se “liga”, e atribui desintegração moral da humanidade ao materialismo do “excomungado”. Absolvendo de culpa pecador arrependido, ele atribui o descaminho do povo de Deus ao Demo e a um mau funcionamento químico dos  100 bilhões de neurônios cerebrais. Enquanto Aristóteles acreditava que as leis do universo eram identificadas pelo pensamento sem necessidade de comprovação objetiva, Platão achava que agir racionalmente e filosofar supriam os sentidos, o corpo e o mundo; e que do inteligível é que vinha a idéia. Acreditando na alma humana fazia suposições sobre seu destino: “A dos pecados expiáveis – A dos as dos que vivendo conforme a justiça ganhariam o prêmio merecido” – E os inexpiáveis que seriam condenadas eternamente.

descartesApesar de uma formação jesuítica do século XVI o filósofo francês René Descartes sempre mensurou metodicamente sua própria existência,  sua condição de ser pensante. Questionava o discurso escolástico e a eficácia dos conhecimentos obtidos, e não confiava nos seus parcos cinco sentidos. Duvidava do mundo que o rodeava e da existência divina. Mas, contraditoriamente, considerando que Deus poderia ser o suporte de todas as verdades, citava o capcioso motivo que o levou a crer: “Se existo também ele deve existir”. As análises de Descartes eram longas e inconcludentes, mas sua máxima “Penso, logo existo” se encaixa feito uma luva no óbvio ululante do “carola” Nelson Rodrigues. No entanto, ainda hoje pensadores procuram uma lógica para o dito.

Tido como fundador da ciência moderna, o inglês Francis Bacon – 1561/1626 – procurou substituir os métodos de Aristóteles pela investigação específica dos fatos e dos fenômenos naturais. Acusado de alquimista e rosacruz, são suas estas palavras: “A humanidade só saiu da barbárie mental primitiva quando se evadiu do caos das velhas lendas e não temeu mais o poder dos taumaturgos, dos oráculos e dos feiticeiros” (…). Mas considerou “que profundidade filosófica traz de volta as mentes das pessoas para a religião.”

Embora com tendência hegeliana, o pensamento de Nietzsche – que morreu em 1900 - ia contra todo status da época. Ateu convicto foi dele a famosa Lei Contra o Cristianismo, e sua idéia de mudança geral da vida o fez concluir que “O esforço do filósofo tende a compreender o que seus contemporâneos se contentam em viver”. Entretanto, aqueles que se “contentam” são os bem postos numa vida equacionada onde tudo está conforme. Minoria que concentra renda e se lixa para as guerras de conquista, terrorismo, genocídio, miséria e fome; convicta que no futuro a democracia estabilizará o sistema e distribuirá renda. Mas seus magnânimos projetos políticos nunca deixarão as gavetas.

Enquanto o crente considera vida e livre arbítrio dádiva divina: “quem peca vai queimar no fogo do inferno e fica tudo equacionado”,  o ateu não se conforma. É lógico que este análise “barbante” não tem nada há ver com doutorado em filosofia. Beato ou ateu, fato é que, com a leniência de todos, na abrangente mídia contemporânea o que prevalece são reuniões do Primeiro Mundo, “ranking” dos 10 mais ricos e das 10 mais belas mulheres do planeta, descarada discriminação sobre questão atômica,  e muito cinismo.

Nas últimas décadas o vertiginoso conhecimento tecnológico e científico parece justificar o galardão “homo-sapiens”. Entretanto, partindo para os gastos faraônicos como o do LHC, e devaneios  sobre  um gigantesco planeta nomeado Nibiru - que provocaria verdadeiro armagedom na terra –  o bicho-homem se revela maroto.  Procura  esquecer o caos econômico, o genocídio generalizado, e a degradante realidade que criou. Coisa séria como equacionar miséria jamais será prioridade. A mídia  quer manchete. Não sobre peculato e corrupção política, coisa já institucionalizada, nem sobre problema ecológico ou situação econômica de contexto falido, onde o fantasma é o desemprego. Porem,  em vez de planeta Nibirú ou choque de prótons do LHC, a trombada que vem por ai  pode ser pior.

planeta_vrmelho_niribu

O temido NIBIRÚ

De formação jesuítica Voltaire foi um rapaz talentoso, mas o consideravam um patife. Embora brilhante, era grosseiro, e por causa de seu temperamento acabou exilado em Londres onde absorveu muito da cultura inglesa. Com uma pequena enciclopédia que escreveu foi considerado o autor do primeiro livro de bolso da história, e suas idéias se propagaram até a revolução francesa.  Ele estudou a cultura “pagã” oriental, se influenciou pelo otimismo de Leibniz, mas criticou Descartes, a cultura grega, a romana e o iluminismo. Ainda no século XVIII, disse Voltaire que “Intelectual racional e autêntico, realmente não tem mais o que dizer. Principalmente se for ateu ou agnóstico”. É dele a máxima: “Posso não concordar com as palavras que você disser, mas defenderei até a morte seu direito de dizê-las”.

Quando o assunto é erudição e filosofia é bom lembrar que mero uso de um polegar diferenciado alavancou o raciocínio de um ramo evoluído de antropóide.  Um dedo bem posicionado  proporcionou ao homem primitivo uma longa caminhada que o levou até o espaço sideral. Entretanto, este pequeno planeta continua rodopiando  em torno de um sem fim, e o porquê do existir continua um incógnita. Não para crente religioso e sua fé. Mas, deixando de lado as “muletas”,  e o restritivo discurso “religião não se discute”, é enfadonho ver eruditas cabeças pensantes da atualidade  se engalfinhando com firulas filosóficas na disputa cristicismo versus ateísmo. Mesmo com a degradante realidade que ai está, todo beato se empenha em conjuminar a idéia da existência divina com o pensamento dos filósofos do passado e cientistas do presente. O filósofo ateu Antony Flew - que acabou admitindo a existência de Deus – questiona o ateísmo de Einstein citando ando sua infância, e, em seu livro, Max Jammer só falta colocá-lo numa sacristia ou numa sinagoga. Fala que sobre a influência de Espinosa Einstein desenvolveu a idéia de uma “religião cósmica”,  e divulga capciosas  informações tentando anular “acusações” de que ele era um ateu.

carta_einsten_grande

Carta escrita por Einstein um ano antes de morrer.

Texto  dirigido ao filósofo alemão Eric Gutkind em 1954: “A palavra Deus para mim é nada mais que a expressão e produto da fraqueza humana, a Bíblia é uma coleção de lendas douradas, mas ainda assim primitivas, que são bastante infantis” (…) “Para mim, a religião judaica, como todas as outras, é a encarnação de algumas das superstições mais infantis. E o povo judeu, ao qual tenho o prazer de pertencer e com cuja mentalidade tenho grande afinidade, não tem qualquer diferença de qualidade para mim em relação aos outros povos”. OBS: O judaísmo considera o judeu o “povo eleito” por Deus.

sagan_uc

Carl Sagan

Considerado o gigante da astronomia e principal explorador do nosso sistema solar, o americano Carl Sagan também era um ateu convicto. Atraindo a atenção com novos rumos de investigação científica, ele afastou do cotidiano as crendices, o sobrenatural,  e incentivou  o “culto” a grandeza do universo. Não foram poucos os atraídos por sua atuação científica e cultural, que abandonando um “racional bitolado” soltaram as muletas e foram  além. Sagan uma vez debochou: “A idéia de que Deus  é um homem branco com uma enorme barba, que está no céu e vê a queda de cada pardal é ridícula. Mas, se  por “Deus” entende-se um conjunto de leis físicas que governam o universo, então claramente existe um tal. Mas ele é emocionalmente insatisfatório… Não faz muito sentido rezar à lei da gravidade.”

Embora descriminados, os ateus são uma minoria privilegiada. Nela está Marx, Hegel, Nietzsche, Kierkegaard, Napoleão, Albert Camus, Bertrand Russel, Charles Chaplin, Che Guevara, Sagan, Millôr Fernandes, e, entre outros, o gênio da ciência Albert Einstein. Considerando o lado empírico das religiões, vamos registrar a de Alan Kardec, que buscou na reencarnação da alma uma saída marota para medo de cristão desarvorado. Durante sua vida Kardec envolveu-se em escândalo com dinheiro, foi acusado de racista e no fim da vida, de suicida. Disse ele: “Espírito que aqui na terra desfruta abundância e felicidade vai permanecer estacionário”. “Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar, tal é a lei”. A estória é mais ou menos assim: “Errei, to pagando, morro, mas logo reencarno e volto melhor”. Se na visão de Espleger a civilização ocidental faliu, para Bakunin “As pessoas vão à igreja pelos mesmos motivos que vão à taverna: para estupefazerem-se, para esquecer sua miséria, para imaginarem-se, de algum modo, livres e felizes.” E, para o Millôr Fernandes: “Quando o primeiro espertalhão encontrou o primeiro imbecil, nasceu o primeiro Deus”.

Disse o escritor André Comte-Sponville que “Se você topar com alguém que lhe diga eu sei que Deus não existe, não é um ateu, é um imbecil. E, igualmente, se você encontrar outro que lhe diga eu sei que Deus existe, é também um imbecil que confunde fé com saber”. E disse mais: “Os teístas se orgulham em sua crença, como se fossem mais do que de fato são, infundem todas as ações de Deus em torno de si mesmo,  como se a razão da “existência” de Deus fossem eles mesmos!!! Não teríamos ai em evidência a idéia de que na verdade o homem criou Deus”? E prossegue: ”A humanidade é algo muito pequeno para ser conseqüência de alguém tão grande. Como dizia Pascoal por todo lado temos mediocridade demais, baixeza demais, miséria demais, e grandeza de menos. A humanidade é uma criação tão irrisória, como que um Deus poderia querer isso”. Se próximo ao panteísmo Schopenhauer considerava a realidade como “desenvolvimento dialético do próprio “logos” divino, adquirido pelo humano pela consciência de se mesmo”, para Friedrich Hegel a dialética era procedimento superior do pensamento, a marcha e o ritmo das próprias coisas”. Na tenebrosa realidade que vive o planeta Terra o homem mais parece um anjo do mal que um querubim.  Sem destrinçar o mistério do existir e do universo, com seus dogmas e sua fé, para “ungido” quem sabe das coisas é Deus que as criou, e pronto.

Na cola de um Einstein, Friedmann, Brian, Carl Sagan ou Stephen Hawking, de antemão o ateu fica na sua. Como sacaneou Voltaire, “se Deus nos fez a sua imagem nós o reproduzimos muito bem”. Generalizando sobre o assunto, todos evitam a pergunta primária: Se “ele” é capaz de fazer  milagres porque não deixou nada escrito e criança morre de fome?

hegel

Hegel

Embora nunca tenha deixado sua cidadezinha do século XVIII, foi o alemão Immanuel Kant quem projetou a filosofia moderna, e  Schopenhauer considerou seu livro “Crítica da Razão pura” como o mais importante da Europa. Kant dizia que só conhecemos o mundo através do subjetivismo, do espaço e do tempo, e houve época em que atacou o ateísmo e o materialismo. Afirmando que muitos fenômenos requeriam explicações, disse ser esta a razão para conhecermos Deus. Mas o processo dialético de Friedrich Hegel superou suas dúvidas, e no final de sua vida negava toda revelação positiva de Deus. Reduziu religião a uma ética natural, e considerou a consciência humana confusa e subjetiva. Saudou Napoleão como “espírito universal a cavalo”, mas constatou que “a força identificou o vitorioso  que  é mais dotado de valor do que virtude.” De Tales de Mileto a Kant foram acumuladas toneladas de saber. Vasculhado por Freud o inconsciente humano foi revelado, e hoje a tecnologia avançada já penetrou os meandros do cérebro humano.  No entanto,  depois de muita pós-graduação e mestrado, apegados à suas cátedras pensadores contemporâneos produzem laudas de inútil sabedoria. Neste perverso contexto burguês, do alto de suas torres de marfim procuram um rumo que  leva há nada. Enganam-se os que acreditam que países ditos em desenvolvimento irão promover uma mudança de baixo para cima e equacionar miséria. Depois da derrocada comunista na Rússia, estava à esquerda intelectual desamparada quando o incrível aconteceu. Século e meio depois da morte de Karl Marx seu nome começa a ser reverenciado por economistas e liberais de renome. A revista francesa Nouvel Observateur dedicou-lhe um número especial como “O pensador do Terceiro Milênio”, e até o magnata George Soros confessou publicamente que andava lendo Marx. Mas se Bakunin era quem estava certo?

François Chesnais

chico1Disse o economista francês François Chesnaisque não se sabe como vai acabar a crise deste início de século XXI. Que uma terceira via não pode passar pela gestão estatal e burocrática já falida nem pelo liberalismo, e que passou a fase dos slogans simpáticos e fóruns sociais. Se outro mundo é possível, chegou à hora de dizer qual. Nós saímos de um século que, sob o meu ponto de vista, acabou com uma derrota histórica das esperanças de emancipação. (…) Para mim, há somente uma alternativa: opor à concorrência e à lógica de todos uma lógica do bem comum, dos serviços públicos e da solidariedade” E disse mais: “A política é irredutível à ética e a estética” (…) e a dialética da razão também é irredutível ao espelho quebrado da pós-modernidade.” Na antiguidade Sócrates já desabafava: “a nossa juventude adora luxo, é mal educada, despreza a autoridade e não respeita os mais velhos. Nossos filhos são verdadeiros tiranos.” Com-Spoville resumiu suas críticas à civilidade sugerindo ter sido o homem que criou Deus, não o contrário. Irredutivelmente vaidosa, a espécie humana vem cometendo erros desde a concepção religiosa do dualismo metafísico da filosofia grega, onde Deuses  e  mundo eram separados. Em sua trajetória a terra já passou de “plana” para esférica, e de centro do universo para simples planetinha. Embora hoje o homem esteja prestes a sair peregrinando pela Via Láctea, em se tratando de emancipação civilizatória… Continua tudo como dantes no quartel d’Abrantes.

9783-004-73F45AD1

Oparin


Depois que Louis Pasteur derrubou a “teoria de geração espontânea” no século XIX, 60 anos depois surgiram várias outras tentando responder a pergunta de como surgiu o primeiro ser. Se gerado por outro que o antecedeu, como então nasceu o primeiro? A idéia de que a vida poderia ter surgido de matéria inanimada através de reação química foi de Darwin. Mas na década de 30 do século que passou a teoria do astrônomo, geólogo e biólogo russo Oparin foi a mais aceita. Dizia que a vida na Terra surgiu há cerca de 3,5 bilhões de anos, e que produzindo vapor d’água a atividade vulcânica proporcionou a combinação de elementos químicos como metano, hidrogênio e amônia, e foi à proteína que formou rudimentares formas de vida. De acordo com restos fossilizados encontrados na África Oriental, foi cerca de 2,5 milhões de anos que surgiu o primeiro humanóide. Derivado de um ramo de antropóides, ele foi perdendo pelo, e devido à intensidade solar do continente africano onde surgiu, era negro. No correr do tempo os que imigraram para o Norte se livraram dos efeitos do Sol africano, sua pele foi clareando, e surgiu o homem branco. Evoluindo sempre, depois de grande avanço “civilizatório” ele voltou à África para conquistar a terra e escravizar o antigo ancestral. Quando ainda “acreditava”, o ateu Kant disse que fenômenos inexplicáveis deveriam nos levar a Deus. Como muito intelectual contemporâneo, certamente procurava livrar o lado esquerdo do cérebro  da tarefa de equacionar  o  grande  mistério  da  criação  e  do existir.

Big Bang arte 1 w300

Big Bang

Alguns doutos da modernidade devem considerar uma baita sacanagem a estória do Big Bang – nome que o  russo Alexandre Friedmaan criou para a teoria dos colegas Gamow, Edwin Hubble e equipe – que seria exacerbadamente criticada pelo astrônomo Fred Hoyle. Embora do século XIX para o XXI a ciência tenha dado um salto gigantesco, ainda não nasceu o sábio que responderá de onde veio e pra onde irá o que resultou da tal partícula de Bóson Higgs. Considerada impalpável mais de densidade infinita, dizem ter sido ela que a mais de 13 bilhões de anos provocou a grande explosão. Enquanto astrônomos e cosmólogos continuam vasculhando o universo e o avanço na nano tecnologia fez a medicina dar um salto,  a revelia do atraso e da religião está próximo o dia em que  vida humana será gerada em proveta.

brain

Cérebro Humano

Quando cirurgião manipula o  bisturi, parece não perceber a grotesca semelhança entre massa encefálica do cérebro – que gera raciocínio – com intestino que processa bolo alimentar. Mas é importante o mecanismo fisiopatológico entre cérebro e intestino. Segundo o professor de iridologia Celso Batela há uma surpreendente correlação entre ambos, e especialistas consideram o intestino um “segundo cérebro”, órgão inteligente, que funciona independente do sistema nervoso central. Entre os dois, a mesma aparência disforme, mas absoluta diversidade de  função.

u15265580

Intestino humano

Enquanto o intestino cuida da alimentação dos 100 bilhões de neurônios do cérebro que nos auto-identifica, nos situa no planeta, no sistema solar, na Via Láctea e no universo; criando arte, beleza, e artefatos com absoluta simetria, que não  combinam com a disforme aparência das  vísceras do homem que os construiu. A capacidade do cérebro ainda não é totalmente conhecida. Entretanto, considerando seu  fabuloso  desempenho, há os que contestam  a  teoria da evolução de Darwin afirmando não ser o homem produto do acaso.   Acreditam que criado  pela sabedoria eterna ele foi gerado para atingir um objetivo, e não há força da natureza capaz de degenerá-lo ou destruir sua alma. Mas se ela existe, ninguém pode negar que habita um corpo belo por fora, mas repugnante por dentro.  Foi por causa dessas e outras,  que antes da era do microscópio o anatomista e fisiologista francês Xavier Bichat se afastou da metafísica espiritualista – que explicava a vida através das entidades do além – para se apegar ao ponto de vista científico.

imgbrian greene3

Brian Geene

Em seu livro “O Universo Elegante” o renomado físico e matemático americano Brian Greene popularizou seu trabalho misturando ciência com personagens dos “quadrinhos” e do cinema. Envolveu-os  em sua festejada  “Teoria das Supercordas” que  pretende reunir  micro ao macro como sonhou Einstein. Se o conhecimento atual chegou às partículas sub- nucleares,  a nova teoria busca ainda algo menor dentro de um quark,  a fundamental partícula de Boson. São as “cordinhas vibrantes”, micro partícula invisível, algo fundamental, coisa ínfima, subatômica, que em forma de filamento  vibra de energia  como “as cordas de um violino”. Caso o LHC funcione – apenas identificada – a almejada partícula de Boson será como um mero pontinho que  revolucionará a ciência e  unificará a teoria geral da relatividade com mecânica quântica. Como lamentou Brian Greene: “Pobres mortais, longe deles estão às maravilhas dos sofisticados aparelhos eletrônicos.” Enquanto as mazelas do planeta são ignoradas, só meia dúzia de “ungidos” podem desfrutar  dessas maravilhas.  A fome aumenta, mas socorro pra projetos faraônicos e falcatruas de empresários e banqueiros não falta. Continua um “way-of-liffe” que certamente não é o do Haiti. Se  faminto  quer ficar vivo, empenhada em outros afazeres à burguesia prefere desfrutar a vida. Não quer saber de ver estrelas.

Assim como judeu religioso se julga o povo “escolhido”, cristãos, maometanos e crentes de outras religiões também se consideram a coisa mais importante do universo. Ignorando Galileu, continuam achando que o homem e este planetinha são o centro de tudo, a começar pelos astrônomos, cosmólogos e astrofísicos, que identificam  grandiosidade universal como algo que se expande em torno de si para ser esquadrinhado. Também os filósofos – analisando o dom da vida e do saber – não levam em conta algo ilógico como o infinito que os circunda. Com o tamanho de 100.000 anos luz nossa limitada Via-Láctea contem mais de 100.000.000.000 de estrelas conhecidas, e depois do nosso Sol, uma estrela anã de 5º grandeza,  a mais próxima da Terra é a Alfa de Centauro, que está a mais de 40.000.000.000.000 km de distância. Com a tecnologia do telescópio espacial Hubble já foram localizadas mais de 10.000.000.000 de outras galáxias, mas não há como calcular seu número exato.

Para alguns cientistas o LHC e a busca de eventos antes do Big Bang não fazem sentido. Não acreditam numa resposta para “tempo zero” e há duvida quanto à densidade da anunciada partícula de Boson. Em se tratando de física quântica e universos paralelos, a idéia de que partículas ainda não detectadas denominadas cordinhas vibrantes possam  existir em vários locais ao mesmo tempo empolgou os físicos. Acontece que todas essas elucubrações que já custaram trilhões não passam de suposições, e tudo irá pro ralo caso o choque de elétrons no LHC não se concretize. Se isso acontecer, alegarão que não houve força suficiente no reator, e embora não exista definição quanto ao real teor da mecânica quântica que rege o mundo subatômico, mais recursos serão canalizados para o setor e para respeitáveis e bem alimentados cientistas. Para alguns o LHC e a busca de eventos antes do Big Bang não fazem sentido. Não acreditam numa resposta para “tempo zero” e há duvida quanto à anunciada densidade da partícula de Boson. Em se tratando de física quântica, universos paralelos, e a idéia que as partículas ainda não detectadas denominadas cordinhas vibrantes possam existir, há muita controvérsia. Acontece que todas essas elucubrações já custaram trilhões e vão custar muito mais.

image003

Cordinhas vibrantes

No século XXI a expectativa de uma globalização proveitosa começou mal, agravando a situação destrambelhada de um planeta onde o “homo-sapiens” ignora miséria e insiste em concentrar renda. Atolado num contexto moral podre, ele  se lixa para o entorno que se desmantela, e quece que seu planetinha é mero grão de areia no contexto universal. Num passado remoto, Arquimedes criou memorável sistema capaz de expressar números astronômicos com o qual poderia contar a quantidade de grãos de areia que coubesse no universo que então conhecia. Conhecido hoje como padrão, a notação em forma exponencial é a maneira de escrever números astronômicos. Divulgados pela BBC cálculos dos astrônomos da Escola de Astronomia e Astrofísica da Austrália e da Universidade do Hawaii dão conta de números  surpreendentes. O pesquisador Simon Driver calcula que possa existir cerca de 70 septiliões (70.000.000.000.000.000.000.000) de estrelas no universo até agora alcançado pelo Hubble, número aproximado do que se calcula existir de grão de areia aqui na Terra.

Boovoid

Cada pontinho uma galáxia.

Num passado remoto Arquimedes criou memorável sistema de expressar números astronômicos capaz de contar a quantidade de grãos de areia que coubesse no universo que então conhecia. Hoje, conhecido como padrão,notação em forma exponencial” é a maneira de se escrever números astronômicos. Divulgados pela BBC cálculos dos astrônomos da Escola de Astronomia e Astrofísica da Austrália e da Universidade do Hawaii dão conta de números  surpreendentes. O pesquisador Simon Driver calcula que possa existir cerca de 70 septiliões (70.000.000.000.000.000.000.000) de estrelas no universo até agora alcançado pelo Hubble, número aproximado do que pode existir de grão de areia neste planeta.

Espetacular o calcular de estrelas!  Mas  embora ainda se consigam tenebrosas estatísticas de crianças que morrem de fome, há dificuldade  pra  se conseguir um número objetivo dos indigentes que existem no planeta. Mesmo a apurada tecnologia da Internet reluta em responder. Omitindo  a  fome  em alguns países, o faz com subterfúgios, insistindo em divulgar números da América Latina. A última estatística global conseguida foi a do BID em 2006. Calculava o órgão haver mais de 70 milhões de indigentes na Terra, quando é notório que  mais que 40% da população global apenas sobrevive. É grande o saber e a tecnologia que o ser humano acumulou no século que passou, mas seja ele judaico-cristão, árabe-mulçumano, indiano ou chinês, é lamentável a postura confusa e oportunista dos bem postos na vida. Coniventes com uma mídia alienada, que destaca com espalhafato fotos coloridas da “meia dúzia” dos potentados mais ricos do mundo, como o americano Warren Buffet, cujo patrimônio ultrapassa os US$ 62 bilhões.

hubble-space-telescope-001

HUBBLE

Foi esmerilando a macro e a micro tecnologia que o bicho-homem se integrou ao axioma cosmo. Acumulou sabedoria e status, mas é inadmissível como ignora a realidade do mundo que o cerca. Fora da sua rotina tudo é aleatório. Neste século XXI institucionalizou-se mazela e degradação, e “tímidos” relatórios calculam que apenas cerca de 20 mil crianças menores de 5 anos morrem de fome todo dia. Autoridades alardeiam providências, mas o que de fato acontece são esmolas. Prioridade fica pra projetos grandiosos e faturamento com indústria de armas. Assim como o ateu que digita estas aberrações, ninguém faz nada a não ser em benefício próprio. É fato consumado, e a vida continua…

3

GENOCÍDIO

O genocídio da era “moderna” começou na Primeira Guerra Mundial, e na Segunda aconteceu o holocausto na Alemanha de Hitler. No Pacífico Pearl Harbour antecedeu o contra-ataque americano, mas depois de Hiroshima, porque Nagassaki? Para o conhecido autor de mangás japoneses Keiji Naakazawa – que perdeu pai, irmã e um irmão mais novo no ataque atômico – tudo aquilo foi um pesadelo. Hoje associados, com o mesmo desprezo pelo humano e maiores condições de repetir crimes contra a humanidade, os responsáveis pelos crimes hediondos continuam por ai. Nesta estória toda há uma flagrante inversão de valores, e alguns temas são  tabus. Temendo a fobia do anti-semitismo poucos têm coragem de opinar sobre analogia de sionismo com  nazismo,  embora ambos se assemelhem na constituição do Estado como meio, não como um fim, e ai está à questão palestina, com o judeu atucanando o próprio parceiro Tio Sam.

Pascal

Blaise_Pascal2Atolado numa Via Láctea arrastada cosmo afora nosso planetinha segue orbitando uma estrela anã, e, com histriônica necessidade de auto-afirmação, o homem continua buscando saber, esmiuçando a macro e nano tecnologia. Ainda no século XVII, estudando a atmosfera Blaise Pascal demonstrou a existência do vácuo, mas deixando de lado a  herança filosófica de Descartes – unanimidade entre filósofos de sua época – dividiu o conhecimento humano em dois: um baseado na autoridade e tradição, e outro na experiência, razão e teologia. Acreditando em Deus e na alma, depois de uma vida mundana ele acabou na pobreza e, desencantado, resmungava: ”Agrada-nos repousar em sociedade com nossos semelhantes: miseráveis como nós, impotentes como nós, eles não nos ajudarão; morreremos sozinhos.” E se penitenciando: “A grandeza de um homem é se reconhecer um miserável. Uma árvore não sabe fazê-lo.”

Adams Smith

SmithA consciência humana é confusa e subjetiva. Limita-se a aprender o que é do seu interesse e dificilmente se enquadra na realidade. Desde o século XVI a banda ocidental cristã é quem da às cartas, e não fosse à crise generalizada que provocou neste  limiar do XXI ela ainda estaria absoluta no planeta. Adam Smith continuaria entronizado e George Soros não estaria lendo Marx. O ocidental sempre se  ufanou da civilização que construiu, mas não pode menosprezar o legado cultural grego-romano e o oriental mulçumano e esquecer a herança cultural dos impérios Franco Bizantino e Islâmico. No entanto, há quem atribua a Igreja Católica todo o sucesso do ensinamento moderno, atribuindo a ela a plenitude da filosofia,  o “milagre” da ciência, e a divulgação da cultura e do  saber universitário. É um alguém que ignora escravidão, in

darcybengala

Darcy

quisição e “catequese” católica do gentio do Novo Mundo. Não sabe de Espinosa, nem do freiLeonardo Boff, e ignora o que é uma tribo indígena “virgem” onde nenhum padre botou o pé. Obviamente, sequer chegou perto dos irmãos Vilas Boa ou do Darcy Ribeiro.




200px-Spinoza

Spinoza

Precursor do iluminismo francês e do existencialismo de Kierkegaard, não era a matemática e a física que mais interessava Espinosa. Contestador do cartesianismo, pensamento predominante em sua época, acreditava que alma e corpo eram fruto da mesma substância, e embora tivesse escrito pouco, seus livros foram proibidos pela Igreja Católica. Um deles, “O Breve  tratado Sobre Deus” permaneceu censurado até o fim do século XIX. Embora não conhecesse Lao-Tsé nem o taoísmo, sua insistência em viver em equilíbrio com a natureza e discussões com doutores da sinagoga o levaram a excomunhão.

Quem “aprontou” neste planeta não merece perdão, mas valendo-se de sua muleta o religioso crê que sim. Embevecido pelo som místico de um órgão e envolvido pelo ambiente gótico de um ádrio de igreja, ele esquece conivência com escravidão, participação política em tudo que foi barbárie, e os sucessivos atos de pedofilia dos “abstêmios” sacerdotes. O católico acha que um simples sinal da cruz de um deles pode absolvê-lo. E, para o evangélico, doação de dízimo retorna multiplicado sem nenhuma implicação com lavagem de dinheiro. Não se deve esquecer o passado, a história, o que foi a conivência missionária no mercado escravagista na África explorado por árabes e europeus por quase trezentos anos. Não importa pedido de perdão de Papa refestelado no trono. As colônias portuguesas foram as mais antigas e as últimas a ganhar a liberdade. Milhões de africanos foram capturados pelos lusos, holandeses, ingleses e franceses que os negociavam principalmente com os Estados Unidos e as colônias portuguesas na América.

navio negreiro

Navio Negreiro

TECEIRA PARTE

Cadeia do Aljube

alj1Entre os séculos XVI e XIX mais de onze milhões de negros africanos foram capturados por portugueses, holandeses, ingleses e franceses, e a maioria era encaminhada para os Estados Unidos e a colônia portuguesa no Brasil. Anos antes de iniciar-se o movimento para libertação moçambicana, vítima da ditadura Salazar, em 1950 o Zé que digita este texto estava trancafiado na Cadeia do Aljube em Lisboa, e por muito pouco não foi “exportado” pra uma masmorra em Moçambique. Embora na década de cinqüenta já tivesse começado a descolonização da África e os franceses e Belgas liberado suas colônias,  Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe, o salazarismo de Portugal foi o último a “largar o osso”, e os moçambicanos  só se livraram do domínio português em 1947.

CheCongo[1]Pela mão de obra escrava e riquezas naturais o continente africano sempre foi vítima da cobiça do europeu. A “independência” das suas colônias foi em termos, pois a maior parte do povo africano ficou confinado em agrupamentos de etnias rivais restritas ao mesmo território, ou na mão de cruentos títeres do antigo colonizador. Foi a propalada independência das colônias francesas que levou Che Guevara ao  continente  africano a fim de ensinar guerrilha. Ele chegou ao Congo anônimo – com 120 cubanos negros – para que misturados aos combatentes da terra não fossem percebidos. Queria acabar com o inimigo imperialista e  tentar  uma  real  libertação  para o1720415-Samora-Machel-0 povo. Mas sua presença foi descoberta, os adversários se mobilizaram, e sem condições Che teve que se retirar com todos os companheiros cubanos que Fidel já havia enviado. Guevara se foi do Congo, mas a luta continuou com Eduardo Mondlane que queria um governo nos moldes do colonizador ocidental em Moçambique. Mas ele foi morto pelos seguidores do guerrilheiro argentino, cuja luta pelo socialismo na África se perdeu na utopia…  Mas nomes como Lumumba, Samora Machel e o CHE nunca serão   esquecidos.

Samora Machel

Filho de abastada família o jovem Samora Machel queria ser como Guevara. Perseguido pelo então ditador Mondlane o jovem guerrilheiro se engajou na Frelimo, e foi como líder socialista que depois tomou posse como o primeiro presidente da república de Moçambique. Mas em 1986 um acidente de avião forjado por seus opositores o matou.

Já no seu primeiro ato de governo Machel havia declarado: “É necessário que os dirigentes vivam de acordo com a política socialista da Frelimo (…). E, lembrando Bakunin:” O poder, as facilidades que rodeiam os governantes podem corromper o homem mais firme. (…) “A corrupção material, moral e ideológica, o nepotismo, isto é, os favores na base da amizade, e em particular dar preferência no emprego aos seus auxiliares, amigos ou a gente da sua região fazem parte do sistema de vida que estamos a destruir.” Naquele contexto colonial um cara como ele não ia mesmo ficar vivo.

Em processo de unificação, além de Portugal e Brasil a língua portuguesa é falada por cerca de 560 milhões de habitantes no planeta. Na América do Sul, na África, na Europa e na Ásia.  É uma língua  rica,  única  a  conter  uma    palavra   como     saudade,  certamente  bem  mais expressiva que “home-sickness” ou “to long for.” Mas o que hoje prevalece no mundo inteiro é o idioma inglês e o “way-of-life” anglo-saxão.  Obviamente pra burguês que pode.

mixiu Saudade

Capitao-mato

Capitão do mato

pre-historia-hoje-meio300x236-1

Bandeirante caçando índio

Foi depois da Primeira Guerra Mundial em 1914, onde se envolveram França, Inglaterra, Itália, Bélgica, Portugal, Espanha e Estados Unidos, que os neo-imperialistas recomeçaram a disputa pelo território africano. Os alemães foram os últimos, mas através do controle econômico e sustentação militar todos lá passaram a exercer seu domínio. O que não se pode esquecer são os 300 anos que negro africano foi escravo de branco e o extermínio dos índios das Américas.

Além de Portugal e Brasil, hoje a língua portuguesa  vai sendo unificada e falada por cerca de 560 milhões de pessoas da América do Sul, da África, da Europa e da Ásia. Mas o que hoje prevalece no mundo inteiro é o idioma inglês e o “way-off-life” anglo-saxão. Obviamente pra burguês que pode. Fruto do neo-imperialismo do século XIX começou a disputa pelo território africano, e a partir da Primeira Guerra Mundial em 1914, que envolveu França, Inglaterra, Itália, Bélgica, Alemanha, Portugal, Espanha e os estados Unidos na fundação da Libéria, até o século XIX todos exerciam seu domínio através do controle econômico e sustentação militar. Mas foi a disputa entre os colonizadores que provocou o primeiro conflito na Europa.

O tráfico de escravos  e genocídio na África foram crimes contra a humanidade. Mas em vez de reparação das potências que a submeteu e escravizou, o que acontece hoje é a maciça perseguição aos seus miseráveis imigrantes. Durante três séculos houve o genocídio de 140 milhões de escravos e o empobrecimento dos povos africanos. Até agora só a França e a Bélgica reconheceram o tráfico de escravos como crime contra a humanidade, mas até agora o ato não produziu jurisprudência internacional, mas quem se pronunciou foi Tio Sam: “Os descendentes das vítimas não podem dar testemunho válido sobre atrocidades cometidas, com diferença dos judeus sobreviventes do holocausto nazista.” Acontece que o discurso ocidental sobre direitos humanos continuará ridículo enquanto não reconhecerem em bloco  as graves violações cometidas contra o povo africano e os indígenas das Américas.

Filho de abastada família o jovem Samora Machel queria ser como Guevara. Perseguido pelo então ditador Mondlane o jovem guerrilheiro se engajou na Frelimo, e foi como líder socialista que depois tomou posse como o primeiro presidente da república de Moçambique. Mas em 1986 um acidente de avião forjado por seus opositores o matou.

Já no seu primeiro ato de governo Machel havia declarado: “É necessário que os dirigentes vivam de acordo com a política socialista da Frelimo (…). E, lembrando Bakunin:” O poder, as facilidades que rodeiam os governantes podem corromper o homem mais firme. (…) “A corrupção material, moral e ideológica, o nepotismo, isto é, os favores na base da amizade, e em particular dar preferência no emprego aos seus auxiliares, amigos ou a gente da sua região fazem parte do sistema de vida que estamos a destruir.” Naquele contexto colonial um cara como ele não ia mesmo ficar vivo.

Foi depois da Primeira Guerra Mundial em 1914, onde se envolveram França, Inglaterra, Itália, Bélgica, Portugal, Espanha e Estados Unidos, que os neo-imperialistas recomeçaram a disputa pelo território africano. Os alemães foram os últimos, mas através do controle econômico e sustentação militar todos lá passaram a exercer seu domínio. O que não se pode esquecer são os 300 anos que negro africano foi escravo de branco e o extermínio dos índios das Américas.

No século XX além da perda dos 11 milhões de vidas na 1ª Guerra Mundial, na 2ª morreram mais de 50. Holocausto, Hiroshima, Nagassaki, Iraque e depois as Torres Gemeas, foram crimes hediondos cometidos contra a humanidade. Mas embora a exploração e empobrecimento dos povos africanos tenham durado três séculos, em vez de reparação, as grandes potências que os submeteram e escravizaram hoje discriminam os miseráveis que de lá imigram para Europa.  França e Bélgica já reconheceram que tráfico de escravos foi crime contra a humanidade, mas sem o necessário reconhecimento internacional o ato é inócuo. Houve apenas um breve pronunciamento do Tio Sam: “Os descendentes das vítimas da escravidão não podem dar um testemunho válido sobre as atrocidades cometidas, como o fizeram os judeus que sobreviveram ao holocausto nazista.”

escravidao-i

Negros vendidos como gado


No século XIX mais da metade da população brasileira era de escravos. Quando em 1850 os ingleses proibiram o tráfico de negros no Brasil à igreja católica resolveu batizá-los, mas, em vez de água benta, era marca de ferro em brasa no lombo do negro que também indicava o pagamento de imposto a coroa portuguesa. A princesa Isabel decretou-lhes a liberdade em 1888, mas os deixou na rua sem vintém, a própria sorte.

sand_creek

Extermínio de aldeia de pele vermelhamericano

Nem só o negro africano e os nativos das Américas foram vítimas da sofreguidão do europeu. Civilizações avançadas como a do Império Asteca e do Maia, e também o do poderoso Inca, que durando 500 anos se estendia pelo Peru, Equador e Chile, foram sumariamente exterminadas pelo espanhol, que só em 1810 foram banidos do continente pelos libertadores Simon Bolívar e San Martin. No Brasil, os festejados Bandeirantes e a execrável figura do Capitão do Mato – caçador de escravos – eram figuras respeitáveis, e, nos Estados Unidos, por massacrar quase toda a população indígena para colonizar o seu território, o exército foi enaltecido e prestigiado.

Quando se esquece um passado de discriminação de raça para louvar exceções que se destacaram como o índio Juruna, “Rei” Péle, ronaldinhos, Obama, Neil Tyson e suas estrelas, e “entronizaram” o talentoso artista negro Michael Jackson, que já foi acusado de pedófilo e se pintou de branco renegando sua raça… Não dá.

michael-jacksonCópia de michael_jackson____by_maestro_efectivo

Como já foi dito, “pasteurizaram” o ícone guerrilheiro Che Guevara, mas se perguntarem sobre sua imagem estampada em tudo que é camiseta dificilmente haverá uma resposta. Ela virá se a pergunta for sobre a figura da camisa 10 ou a coreografia com mão na genitália no rebolado do Mike Jackson. Embora a idéia do russo Trotski não fosse guerrilha, com ela o Che queria  socializar o mundo.

Buscando sua utopia o argentino abandonou família e promissora carreira médica na Argentina e partiu pra luta armada. Onde houvesse um tirano, lá estava ele. Conheceu Fidel Castro no México, ficaram presos na ilha de Pinos em Cuba, mas três anos depois os dois libertariam o país do títere americano Fulgêncio Batista. Embora braço direito de Fidel e ocupando importante cargo político da vitoriosa revolução Cubana, na hora de colher os louros Che pegou sua mochila e foi à luta. Incansável contra os tiranos andou por seca e Meca, e foi parar na Bolívia. Mas abandonado pelo Partido Comunista boliviano em local ermo, cujo dialeto sequer conhecia, sempre doente, sem a menor chance de defesa, em Outubro de 67 foi executado por beleguins armados e treinados pelo americano. Empolgado com Marx, ele não levou em conta o alerta de Bakunin, mas seu mito libertário estará presente em todo movimento de esquerda que acontecer no mundo.

che_guevara_corpse

Che Guevara morto

che-guevara



O

Mas otempo foi passando e as coisas acontecendo… Com chinês, indiano e japonês sentados na mesa do jogo capitalista ocidental, apesar de mais uma crise econômica o poderoso Tio Sam continua consolidando seu mando, disposto a exterminar “barbárie” e impor sua “democracia” no Oriente. Embora semelhante ao cristianismo ocidental cristão a religião mulçumana é regida pelos Aiatolás “radicais”. Eles ousam até desafiar o todo poderoso Tio Sam – que além dos seus aliados – determinou que ninguém mais pudesse fabricar bomba atômica. (Entre cristão e mulçumano um abismo cultural). No oriente a herança do estoicismo grego resultou em discriminação feminina, na burca, na falta de um drink em happy hour, e nos joelhos calejados de tanta reza. Cá, a “galera” ocidental enche a cara de álcool, cheira drogas, e, em vez de mulher com burca, bunda de fora! Se o armagedon não acontecer, como a taxa de procriação deles é incontrolável, certamente uma acelerada procriação mulçumana acabará nos esmagando.

Images_odalisca

Karsh,Yousef-Winston_Churchill-30_December_1941-mDurante a Segunda Guerra Mundial Winston Churchil brilhou defendendo a democracia, mas pecou. Não pressionou o Mahatma Gandhi para primeiro acabar com o abominável sistema de castas e escravidão dos Dalits em seu país, para depois ir a Londres cobrar independência ao Commonwealth britânico. No conforto do seu gabinete, depois de uma baforada do inseparável charuto, o grande estadista deve ter se impressionado mais com a presença de um hindu pelado que com a miséria de um hindu   pelado que com a miséria de castas lá na Índia.


i

Como todo hindu, considerando casta uma tradição e cláusula pétria religiosa da constituição do seu país, Gandhi também pouco fez pelos renegados de sua gente. Disse ele uma vez: ”A arte da vida consiste em fazer da vida uma obra de arte.” Certamente não se lembrou dos Dalits. Embora a mais de três mil anos o odioso sistema de castas vigore na índia, preocupado em livrar seu país da tutela inglesa Gandhi não se empenhou em acabar com elas, mas quando esteve na África do Sul soube se queixar da forma com que foi tratado pelo apartatheid.

madre_teresaHoje os Dalits começam a se rebelar, mas vão pelo mesmo caminho pacifista do Mahtma.  Importante na Índia foi o trabalho missionário de Madre Teresa de Calcutá em prol daqueles miseráveis que só queriam serem considerados seres humanos. Agora que beatificaram a missionária, surgem dúvidas se seu trabalho foi pela fé Católica. Muitos dos que conviveram com ela afirmam que era agnóstica. Em 1959 ela escreveu: “Se não houver Deus – não pode haver alma – se não houver alma então, Jesus – Você também não é Deus”.


Ao se falar em Madre Teresa num Brasil emergente onde a vaidade o intitula grande potência, não se pode omitir a barbárie praticada contra a Irmã Dorothy que dedicou sua vida aos miseráveis do nordeste. Americana naturalizada brasileira, ela tombou vítima do mando de latifundiários que nunca se conformaram com ocupação de Sem Terra. Também não há como esquecer a renomada estilista Zuzú Angel que, buscando pelo corpo do filho trucidado pelos beleguins da ditadura, lutou para encontrá-lo até que foi morta num trágico “acidente”

manchetes-crime-freira-velada-pol

Irmã DOROTY

.

zuzu_angel

ZUZU ANGEL




PADRE CÍCERO

padre_ciceroA coisa vem de longe… No nordeste do século XIX, (num Brasil récem-tornado república), com o apoio da igreja fazendeiros e latifundiários se uniram para expulsar os colonos pobres da região – onde eram defendidos por seu pároco -, e deram início ao mais sangrento conflito de nossa história. Num quadro de Seca, miséria e fome no sertão da Bahia o exército massacrou todo o povo de Canudos. Condenado pelo Vaticano, o popular Padre Cícero acabou “canonizado” pela população, mas, acusado de milagreiro pelos maiores de Roma, foi afastado da ordem e obrigado a se retratar dos “milagres” que romeiros e beatos da região lhe atribuíam. Mas enquanto Canudos sobreviveu continuou atendendo a todos e sua casa transformou-se num comitê político, e ele acabou prefeito de Juazeiro e mais tarde vice-presidente do Estado. Antônio Conselheiro – como também era conhecido – acreditava que em nome de Deus agia para promover justiça e punir os pecados dos republicanos, tais como casamento civil e impostos. Atacado pela polícia de um governo de Estado mancomunado com a Igreja, infligiu-lhes várias derrotas.

deu_clip_image005

ARTILHARIA DO EXÉRCITO

Miséria e fanatismo religioso tornaram aquela gente imbatível, e sua resistência promoveu o mais sangrento conflito da nossa história.  Quando convocado, também o exército da Primeira República sofreu derrotas contundentes.  Mas mesmo quando sua artilharia pesada arrasou o vilarejo de Canudos seu povo não se rendeu. Como sórdida vingança, idosos, mulheres e crianças do logarejo foram sumariamente exterminados.

canudos

POVO DE CANUDOS


Leonardo Boff

Teologia_LibertacaoDepois que padre Cícero se foi, apareceram outras figuras notáveis na religião católica. O doce e inócuo dom Helder Câmara, e o revolucionário frei Leonardo Boff a batalhar pela sua teologia da libertação: política da igreja dirigida aos pobres e a reforma agrária, coisa de comunista, que o Papa vetou. Na ocasião frei Leonardo declarou a BBC que “a teologia vive, mas não é tão visível como antes.” Quando dom Scherer, arcebispo da cidade de São Paulo disse que a Teologia da Libertação havia passado, o ex-franciscano respondeu que “ele devia ganhar um prêmio da economia porque já não existiam mais nem famintos nem miseráveis.”

Mas não se pode falar em Canudos sem registratar a epopéia da Guerra dos Farrapos. Há que lembrar-se da brasileira Anita, e do italiano Giuseppe Garibaldi que no século XIX agiram com o mesmo idealismo e determinismo do argentino Che Guevara. Por lutarem contra o escravagísmo e participarem de um movimento separatista contra um império brasileiro “tutelado” pela matriz portuguesa, para alguns até hoje eles se afiguram como traidores da pátria, embora por sua luta libertária, na América e na Europa Garibaldi e Anita sejam considerados heróis de dois mundos.

Instituída por Bento Gonçalves, a república do Rio Grande do Sul durou 10 anos inspirando várias revoltas Brasil afora como à revolução liberal de 1842 e a sabinada na Bahia. Entretanto, não é justo por de lado quem tentou transformar a herança colonial no Brasil numa república democrática e livre da escravidão. Filho de dono de navio na Itália, Giuseppe Garibaldi passou dez anos lidando com eles, e na marinha mercante chegou a capitão. Mas, seduzido pelas idéias socialistas de Henri Saint-Simon, depois de conhecer Mazzini – líder da unificação de uma Itália então dividida – com ele participou da fracassada insurreição de Gênova e foi condenado à morte.  Conseguiu fugir para o Rio de Janeiro, mas sempre contestador, foi lá, também numa prisão, que aos 28 anos conheceu Bento Gonçalves. Quando o gaúcho proclamou a república rio-grandense Garibaldi tornou-se a figura mais destacada da “Revolução Farroupilha”.Cópia de Nº 18 BARCOS DE PESCA PUXADOS NA PRAIA POR PARELHAS DE BOIS Numa luta desigual contra a poderosa esquadra imperial – num feito inacreditável – ele construiu barcaças armadas em guerra, e com elas tracionadas em carretas puxadas por 200 bois percorreu mais de 80 km terra adentro para surpreender o inimigo.

Seival

O que sobrou do SEIVAL de Garibaldi

Garibaldi conheceu Anita em Laguna, a “seqüestrou”, com ela se casou e teve muitos filhos. Tida como simplória, surpreendeu como mulher aguerrida, que de armas na mão sempre batalhou ao lado de Garibaldi no Brasil e depois na Itália, país onde é laureada e considerada heroína. Fracassada a Republica Rio-Grandense, Garibaldi e Anita foram batalhar no Uruguai na Guerra Grande de 1842.  Depois regressou à Itália, mas para os brasileiros Garibaldi deixou escrito:

”Eu vi corpos de tropas mais numerosas, batalhas mais disputadas, mas nunca vi, em nenhuma parte, homens mais valentes, nem cavaleiros mais brilhantes que os da bela cavalaria rio-grandense em cujas fileiras aprendi a desprezar o perigo e combater dignamente pela causa sagrada das nações.”

Garibaldi voltou à Europa para lutar contra o exército austríaco e reiniciar a luta pela unificação italiana. Mas sua tentativa fracassou. Em 1847 Anita foi para a Itália com os filhos, chegou a presenciar a proclamação da sonhada República Romana, mas logo a esmagadora maioria do poderoso exército franco-austriaco obrigou-os a retirada. Sempre na linha de frente, embora grávida e doente, recusou auxílio da embaixada americana para seguir com o marido. Sempre lutando pela liberdade, em 4 de agosto de 1849 Anita morreu.

plazaItalia1

GARIBALDI

image[2]

ANITA GARIBALDI

Homenagem a ANITA e a GUIZEPPE GARIBALDI em Roma.

 

Talvez por se destacar na Revolução Farroupilha gaúcha e na República Juliana catarinense – movimentos contra comércio de negros africanos e imperialismo dependente da matriz Lisboa – não contra um Brasil que seria República – os heróis Giuseppe Garibaldi e Anita até hoje são veladamente relegados a um segundo plano. Cento e noventa e cinco anos depois de sua morte, lá em Laguna, Rio Grande, e em Tubarão, Santa Catarina,  estão modestas lembranças de Anita, e, no Rio de Janeiro, em Copacabana, uma acanhada rua ostenta o nome de Anita Garibaldi.

Excluindo-se reduzidos exemplos de abnegados que realmente se empenharam em melhorá-la, esta dita civilização ocidental cristã é um fracasso. Não importam toneladas de escritos religiosos, filosóficos e científicos, que através dos séculos nutriram inteligências burguesas privilegiadas. A esmagadora maioria carente sempre se apegará a muleta religiosa. Seja semi ou analfabeta, agüenta sofrimento temporal na certeza de um radioso futuro espiritual no além.  Quando burguês fala em religião cristã, não exclui as outras – são farinha do mesmo saco – respeitadas como aliadas de propósitos, mas para a esmagadora maioria de miseráveis ela é a taboa de salvação. Há também muita picaretagem embutida em religião. O químico Issac Azimov – cientista russo naturalizado americano – debochou dizendo “não tenho evidências para provar a existência de Deus, mas suspeito tanto que não, que não quero perder meu tempo.” Nenhum clérico religioso bem intencionado deixaria de criticar dízimo mal aplicado nem discordar da política conservadora do Vaticano. Muitos ainda usam batina para se identificarem com os humildes que se refugiam na fé. Guevara trocou seu jaleco por metralhadora, mas nunca renegou seus princípios.

livro_paulofreirePaulo Freire fala dele com fascinação. O enaltece pela famosa frase “não abrir mão da ternura jamais” como condição para que uma revolução fosse bem sucedida. Dizia Paulo Freire: “Eu sou um intelectual que não tem medo de ser amoroso, eu amo as gentes e amo o mundo. E é porque amamos as pessoas e o mundo, que eu brigo para que a justiça social se implante antes da caridade.” Disse Freire. Excluindo-se poucos abnegados que se empenharam em melhorá-la, a decantada civilização ocidental cristã é um fracasso, uma hipocrisia, uma farsa. Os que indevidamente usufruem de suas benesses, sempre arranjarão um pretexto para desfrutá-las mesmo que nossa capenga civilização seja como é. Melhor que considerar natureza humana é falar de estrelas. Voltar ao começo de tudo… Para os pensadores da Idade Média o universo era algo ligado com Deus. Giordano Bruno que pensava o mesmo, e o considerava infinito, acabou torrado na fogueira da inquisição.

No entanto, antes da era de Cristo, a geometria euclidiana também considerava o universo infinito, mas, certamente, a motivação do matemático Euclides não era deísta. Já no século XVII, para Pascal o universo era algo a deriva.  Para os pensadores da Idade Média o universo era algo ligado com Deus. Giordano Bruno que pensava o mesmo, e o considerava infinito, acabou torrado na fogueira da inquisição. No entanto, antes da era de Cristo, a geometria euclidiana também considerava o universo infinito, mas, certamente, a motivação do matemático Euclides não era deísta. Já no século XVII, para Pascal o universo era algo a deriva,  que não tinha porto. Mas acontece que depois que Galileu inventou o telescópio, botaram o Hubble no espaço, e vão colocar outro mais longe e mais potente, até hoje o universo não tem explicação taxativa. Como computador saturado, os 100 bilhões de neurônios do cérebro – seja ele  o de Einstein ou Brian Green – empacam. Infinidade é coisa que pensamento não atinge, mas dá argumento pra crente: “Sem deus no universo ele fica ao léu.” Mas como disse o filosofo francês Jean Paul Sartre: “O homem é uma piada trágica num contexto de total absurdo cósmico.”

 

JeanPaulSartre

SARTRE

No entanto, antes da era de Cristo, a geometria euclidiana também considerava o universo infinito, mas, certamente, a motivação do matemático Euclides não era deísta. Já no século XVII, para Pascal o universo era algo a deriva.  Para os pensadores da Idade Média o universo era algo ligado com Deus. Giordano Bruno que pensava o mesmo, e o considerava infinito, acabou torrado na fogueira da inquisição. No entanto, antes da era de Cristo, a geometria euclidiana também considerava o universo infinito, mas, certamente, a motivação do matemático Euclides não era deísta. Já no século XVII, para Pascal o universo era algo a deriva,  que não tinha porto. Mas acontece que depois que Galileu inventou o telescópio, botaram o Hubble no espaço, e vão colocar outro mais longe e mais potente, até hoje o universo não tem explicação taxativa.

Mas mesmo se esta avalanche de sabedoria conseguisse superar a  velocidade da luz, conquistar o espaço sideral, e a vida humana resistisse aos milênios; mesmo assim, a pergunta primordial vai continuar sem resposta: de onde veio e pra onde vai o universo? Considerando que o mundo nasceu a cerca de 4,5 bilhões de anos e a 65 milhões um meteoro acabou com a espécie dinossauro, do jeito que a coisa vai à espécie humana não vai muito longe. Depois que o americano Edwin Hubble constatou que as galáxias estão se afastando uma das outras é bem provável que tal continue indefinidamente, embora a imaginação humana considere quatro hipóteses para o fim do universo: 1ª – Diminuindo seu ritmo de expansão as estrelas do universo irão se apagando. 2ª – Atingindo o ponto máximo de sua expansão, toda sua energia vai se retrair até provocar um Big Bang ao contrário. 3ª – Acelerando seu ritmo de expansão, o universo ficará cada vez mais frio. 4ª – Energia escura e buracos negros engolirão as galáxias com suas estrelas e planetas. Entretanto, para muitos cosmólogos, o citado expandir e encolher do universo possivelmente seja rotina.

Há também os que admitem a existência de múltiplos universos. Chegaram até a catalogar a quantidade de matéria que neles deverão existir: energia escura, 72% – matéria, 23% – átomos, 4,6% e neurônios 1%. Tudo isso pode mudar. O novo telescópio que substituirá o Hubble ficará a 1,5 milhões de distância da Terra, (4 vezes nossa distância da Lua). Certamente ainda será construído outro mais potente e a tecnologia não terá mais limite.

Longe do cotidiano do homem comum, mirabolantes teorias científicas parecem estar mais nas cabeças dos teóricos do que em conseqüentes experimentos em laboratórios. Mas não há como ignorar o avanço científico e aplaudir o físico Edward Witten e sua teoria M, abordagem moderna para os fenômenos da física que equacionaria todos os seus problemas. (sic). Seria o desdobramento da teoria das supercordas a enveredar por um caminho que, como disse Brian Greene, só possível para bem dotado. Foi ele próprio que reconheceu que estão tentando resolver tudo de uma só vez, mas no ritmo que vão, os 100 bilhões de neurônios do cérebro humano ainda poderão conseguir muito.

Deixe uma resposta

Sua resposta: